No aniversário do Mewtwo, “Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca” continua relevante

No aniversário do Mewtwo, “Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca” continua relevante

O ano de 2026 é especial para a franquia Pokémon, já que os 30 anos da criação da franquia serão celebrados no próximo dia 27 com o tradicional Pokémon Day. Além do evento, em que serão anunciadas as novidades para os próximos anos da franquia, outras diversas atividades serão realizadas ao longo de 2026 para marcar a comemoração desta idade tão expressiva.

O texto de hoje celebra, de certa forma, a franquia, mas pela perspectiva de uma das tramas mais famosas de toda a franquia: o nascimento de Mewtwo. Foi num dia 6 de fevereiro, como este, que esse Pokémon lendário surgiu para o mundo, segundo os diários da Mansão Pokémon encontrados na Ilha Cinnabar, como visto nos jogos.

A lenda de Mewtwo se tornou um dos capítulos mais marcantes e lembrados pelos fãs da franquia, não apenas por se tratar de um Pokémon que é definido como o mais poderoso de todos, mas também por ser uma repetida algumas vezes ao longo da saga, sendo contada e recontada em diferentes formatos ao longo desses 30 anos.

A história foi contada originalmente no videogame, foi adaptada para a animação 2D, tanto para a série animada quanto para o cinema, resultando no primeiro da franquia: Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca. Posteriormente, o longa ganhou um remake em animação 3D, que contou a mesma história e chegou ao Brasil direto para o . A origem de Mewtwo também foi parte central da trama de Pokémon: Detetive Pikachu (2019), primeiro longa-metragem em live action da franquia.

A origem desse Pokémon pode sofrer algumas pequenas alterações, mas essencialmente pode ser resumida aos laboratórios e à arrogância humana, que se põe acima da ordem natural e tenta recriar a vida por meio da engenharia genética. Em todas as versões, Mewtwo nasce de uma tentativa de cientistas de recriarem Mew, um Pokémon ancestral, tão antigo quanto a própria vida, que supostamente carregaria o DNA de todos os Pokémon desse mundo dentro de si.

De acordo com as lendas, o próprio Mew estaria ligado às origens de todos os outros Pokémon. Então, ao encontrarem uma amostra de DNA deste monstrinho em um antigo templo do que seria a Amazônia deles, um grupo de cientistas começa a fazer testes em laboratório para tentar recriá-lo. A maioria das tentativas fracassa, mas uma delas acaba dando resultado. Eles criam um Pokémon humanoide que reúne características que fariam dele a criatura mais poderosa do planeta. Só tem um problema: ele tem consciência própria e não compreende o que é. Imbuído pelo ódio e pelo medo, Mewtwo destrói o laboratório e escapa para tentar entender sua própria existência. A partir daí que surgem variações de sua história.

No aniversário do Mewtwo, “Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca” continua relevante

O foco neste aniversário é Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca, aventura que muitos tomam como a origem definitiva do personagem. Lançado no Japão em 1998, esse filme demorou para chegar no Brasil. Isso porque a franquia sequer tinha chegado aqui. A famosa “Pokémania”, que tomou o Brasil no final dos anos 90, começou apenas em 1999, quando o da Eliana passou a exibir a série animada, transformando a franquia em uma verdadeira febre no país. Por isso, a primeira aventura de Ash Ketchum e Pikachu nas telonas só chegou aos cinemas brasileiros em 7 de janeiro de 2000. O longa levou a molecada ao cinema não só para conferir a chegada de novos Pokémon nunca vistos na série animada, mas também para ganhar cartas exclusivas que poderiam ser usadas no TCG (Trading Card Game) da franquia, que também fazia sucesso.

Isso levou a uma situação curiosa, porque diante do sucesso estrondoso que os monstrinhos estavam fazendo por aqui, o segundo filme da saga, Pokémon 2000, acabou entrando no calendário de lançamento simultâneo das Américas. Com isso, ele chegou aos cinemas do Brasil em julho de 2000, poucos meses após o lançamento do primeiro longa-metragem animado.

Dando prosseguimento às aventuras dos protagonistas da série animada, o filme mostra Ash e seus amigos recebendo um convite para enfrentarem o melhor treinador Pokémon do mundo, que está realizando um torneio em uma ilha misteriosa. Ao chegar no cais, o protagonista é informado que uma grave tempestade está impedindo as saídas dos barcos. Diante dessa intempérie, outros treinadores convidados decidem usar seus Pokémon para chegarem até a ilha. Claro que os heróis da história dão um jeito e chegam até o local, onde descobrem que a chuva era uma “prova” imposta pelo anfitrião, que queria que os convidados “provassem seu valor”, e que o tal melhor treinador do mundo era, na verdade… um Pokémon: o Mewtwo.

É interessante revisitar esse filme e perceber como ele foge das estruturas narrativas convencionais de heróis e vilões ao adotar um antagonista que não compreende muito bem a própria existência e apenas replica o único comportamento que ele conheceu em sua curta vida: a arrogância. Criado por cientistas que não tinham o menor apreço pela vida, Mewtwo entende que o sentido da vida é uma busca constante pelo poder. Tudo é feito para definir quem é o mais poderoso e quem deve estar no controle. Ele não percebe que ao organizar esse “torneio com os melhores”, realizado apenas para que ele derrote um por um e se consagre como o mais poderoso, é apenas uma repetição de tudo aquilo que o fez sofrer.

Ao trazer um antagonista tão moralmente ambíguo, a produção o coloca no centro da trama. Ao mesmo tempo que ele é introduzido como um vilão, suas motivações são bem desenvolvidas, dando a ele um ar filosófico muito curioso para uma animação claramente voltada para o público infantil. O abandono nas estruturas narrativas é tão nítido que o contraponto do Mewtwo, o simpático Mew, chega à ilha acompanhado da Equipe Rocket, que são os vilões da saga animada, pregando peças neles. Dessa forma, os heróis humanos entram numa jornada contra o vilão Pokémon, enquanto os vilões humanos são acompanhados pelo herói Pokémon. Ao se cruzarem na ilha, as narrativas se misturam e aí a perspectiva fica mais “normal”, flertando com uma velha história de bem contra o mal.

Só que a produção prefere aprofundar no antagonista ao desenvolver seu plano. Cego pelo ódio de ter sido criado e explorado pelos seres humanos, Mewtwo acaba repetindo o trauma que o assombra ao criar clones de Pokémon para provar sua superioridade. Ele chega num nível tão grande de arrogância que bloqueia os especiais dos monstrinhos e dos clones para que as versões clonadas possam mostrar que são melhores até mesmo sem as habilidades especiais. Resultado? O ódio de Mewtwo se espalha pelas criaturinhas, que começam uma pancadaria franca sem precedentes. E aí que entra a grande sacada do filme, que é fazer um paralelo desse medo e ódio do desconhecido vivido pelos Pokémon e seus clones com o preconceito do mundo real. Mew faz uma reflexão sobre eles estarem focando nas diferenças quando deveriam estar concentrados em encontrar suas semelhanças, um discurso que é “traduzido” pelo Meowth, um dos vilões, que endossa os questionamentos do herói.

No fim das contas, diante dessa sem sentido, Mewtwo percebe que se tornou tão mau quanto aqueles que o criaram e entende que seu destino não é traçado por sua origem, mas por aquilo que escolhe fazer com sua vida. É uma mensagem incrível a ser passada para crianças e o filme consegue fazer com maestria. O vilão, então, encerra a pancadaria e, arrependido de suas ações, vai embora com os clones para que eles também possam encontrar sentido para suas vidas.

Então, de volta à normalidade, Ash, Pikachu e seus amigos têm suas memórias apagadas sobre o que viveram ali e seguem com sua missão de cuidar e desenvolver amizade com os Pokémon. O filme consegue ser uma continuação da série animada sem ter influência direta na trama, algo que viraria padrão da franquia nos cinemas. O público poderia assistir os sem acompanhar a série e vice-versa. E deu muito certo, tanto que até hoje esses longas são lançados. No Brasil, nem todos chegam aos cinemas. Alguns estrearam em canais por assinatura, outros foram direto para o streaming, mas houve capítulos que chegaram às telonas, como Pokémon: O Filme 20 – Eu Escolho Você!, que lotou as salas de cinemas nacionais em sessões limitadas abarrotadas de fãs em 2017.

Revisitar Pokémon: O Filme hoje em dia é, acima de tudo, uma experiência estética fantástica. A franquia foi animada em células até 2002, a tradicional de animação 2D em que os profissionais desenhavam cenários e personagens com tinta em folhas transparentes (as células), dando uma sensação de maior profundidade e até mesmo de carinho, já que a técnica original era mais detalhada e tinha uma iluminação diferente. Assistir o filme hoje, após anos de produções com animação digital, é quase como uma no tempo.

O longa tem uma estética retrô que acabou virando sinônimo dos animes dessa época. As movimentações são fluidas, os personagens parecem mais vivos. Sem contar a influência de outras animações japonesas, como os breves momentos do icônico visual do Mewtwo de armadura, que foi introduzido na série animada e foi explicado no filme como um momento em que o Pokémon foi enganado por Giovanni, o desalmado líder da Equipe Rocket. Para quem gosta dos diferentes estilos de animação, revisitar esse filme pode ser uma atividade muito valorosa.

Neste “aniversário” do Mewtwo, rever Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca pode ser uma boa pedida. Não só para relembrar um dos capítulos mais queridos dessa franquia tão longeva, mas também para encarar essa aventura por outra ótica.

Pokémon: O Filme – Mewtwo Contra-Ataca está disponível no .

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Fonte: CINEPOP

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