Fotógrafo Cristiano Mascaro revela a alma de São Paulo em exposição

Fotógrafo Cristiano Mascaro revela a alma de São Paulo em exposição

São Paulo já foi fotografada de muitas maneiras, por muitos olhos e em diferentes épocas. Ainda assim, algumas imagens conseguem atravessar o e permanecer como referência de como a cidade é vista e reconhecida. É nesse território que se insere a Recortes por Cristiano Mascaro, em cartaz na Unibes Cultural até 22 de março.

Pensada para abrir a programação de 2026 da instituição e inaugurada no aniversário da capital, em 25 de janeiro, a mostra reúne fotografias analógicas e digitais ampliadas que organizam o olhar de Cristiano Mascaro sobre São Paulo a partir da arquitetura, dos vazios urbanos, dos fluxos e dos usos cotidianos.

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-, Mascaro encontrou na uma forma de pensar o espaço. Ainda jovem, após o contato com a obra do fotógrafo Henri Cartier-Bresson, ele passou a usar a câmera como instrumento de observação da cidade. Esse olhar se consolidou quando iniciou sua carreira como repórter fotográfico da revista VEJA, que também publica a VIAGEM E , realizando reportagens no Brasil e no mundo.

A urbanidade pelo olhar de Mascaro

Ao longo de décadas, Cristiano Mascaro construiu uma acervo dedicado a registrar o espaço urbano não como pano de fundo, mas como um personagem da vida social. Em suas imagens, edifícios, viadutos e praças revelam suas funções e dimensões simbólicas, funcionando como testemunhos das transformações da cidade.

Na mostra Recortes, as fotografias expostas percorrem lugares emblemáticos da paisagem paulistana, como a Avenida São João, o Minhocão, o Viaduto Eusébio Stevaux e a Maternidade Filomena Matarazzo. Em alguns registros, a cidade surge em panoramas abertos, que evidenciam sua escala urbana. Em outros, aparece fragmentada, em detalhes de fachadas, sombras, estruturas e geometrias que isolam partes do espaço e revelam camadas menos evidentes do cotidiano.

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Entre luz, sombra e linhas, a escada da Maternidade Filomena Matarazzo no olhar de Cristiano Mascaro (Cristiano Mascaro/Unibes Cultural//Divulgação)

Essa alternância entre o todo e o detalhe é uma das marcas do de Mascaro. Seu olhar articula rigor formal e sensibilidade, construindo obras em que a arquitetura nunca está completamente dissociada da presença humana – mesmo quando as pessoas não aparecem no enquadramento. O que se vê são cidades atravessadas pelo tempo e pelas transformações silenciosas acumuladas no concreto.

Com curadoria de Luiz Armando Bagolin e Flávio Cohn, a exposição coloca diferentes fases da produção do fotógrafo em diálogo. O percurso evidencia não apenas as mudanças na paisagem urbana, mas também as transformações da própria fotografia, da prática analógica à produção digital contemporânea. O resultado é uma leitura de São Paulo como território arquitetônico e simbólico, continuamente reinterpretado pelo olhar fotográfico.

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Um fotógrafo em atividade

Há algo de pedestre na fotografia de Mascaro. Seu fascínio pela cidade começou antes mesmo da faculdade, quando fazia muitos de seus trajetos a pé. Esse ritmo mais lento aparece em suas obras, que não capturam acontecimentos extraordinários, mas reconhecem o valor do cotidiano na arquitetura e na paisagem urbana.

Ao longo da carreira, Mascaro transitou pelo fotojornalismo e pela acadêmica, sem abandonar a cidade como eixo central de sua produção. Aos 81 anos, ele segue em atividade, dedicado a projetos autorais e à documentação urbana.

Cristiano Mascaro
Cristiano Mascaro fotografa São Paulo há décadas, atento às transformações da cidade (Unibes Cultural/Divulgação)

Para quem quiser ir além da exposição, vale anotar: desde 2024, Mascaro mantém um ateliê aberto ao público no centro da cidade. Batizado de 15º Andar, o espaço fica no Edifício David Cury, na Rua 24 de Maio, perto do Sesc 24 de Maio. Lá, entre janelões que dão vista para a Praça da República e o mar de prédios ao redor, é possível entender ainda mais a alma de São Paulo captada pelo fotógrafo. De tempos em tempos, Mascaro recebe o público para conversas e workshops; siga no Instagram para saber possíveis datas.

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Serviço

Onde? Unibes Cultural – Rua Freire, 2500, São Paulo (ao lado da Estação Sumaré – Linha 2 Verde)

Quando? De 25 de janeiro a 22 de março. Quarta a sábado, das 12h às 20h (última entrada às 19h); domingo, das 10h às 19h (última entrada às 18h).

Quanto? Gratuita. Ingressos pelo site.

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