Não somente “Criolo, Amaro e Dino” ajuda a construir um novo território criativo para os artistas, mas também reforça os maiores talentos de cada um deles. Amaro se tornou mundialmente conhecido pela beleza instrumental que evoca a partir do piano, e o instrumento é o fio condutor que atravessa melodias e continentes ao longo do trabalho. Já Criolo, cujas rimas servem como norte do rap nacional há décadas, reforça suas principais sua mensagem crítica sobre temas como a negritude, a resistência cultural e a preservação ambiental. Dino, o menos conhecido do público brasileiro entre os três, mostra suas credenciais por meio das melodias, vocais e coros que mergulham o ouvinte para afundo desse universo musical.
A experimentação, claro, é uma regra para a criação do trabalho, mas também um traço marcante de seus pontos positivos e negativos. É encantador quando o trio encontra o tom certo entre suas tantas inspirações, mas faixas como “Fogo Lento” e a própria “Mama Afrika” são parte do contrapeso dessa balança, e soam deslocadas durante a audição. Nada, no entanto, que comprometa a experiência e o valor que a sonoridade do disco carrega.
Criolo, Amaro e Dino em uma comovente reunião
“Criolo, Amaro e Dino” é uma poderosa e comovente reunião de três dos maiores talentos artísticos da música afro-atlântica. É inspirador quando diferentes culturas se veem diante de si – não como um choque, mas sim como um abraço. O disco traduz a rima de Criolo, o piano de Amaro e a melodia de Dino em um único registro, potente e sensível, sobre a diáspora africana, sobre o Brasil, sobre Cabo Verde e as emoções que navegam por esse oceano entre ambos.
Nota: 8,5 / 10




