Lars’ Deep Dive: como explorar territórios de marca

Lars’ Deep Dive: como explorar territórios de marca

Quando lança um programa próprio, na SiriusXM (uma rádio via satélite), um baterista falando de no rádio se torna um movimento claro de marca pessoal e, por consequência, mais território para o almighty Metallica.

O Lars’ Deep Dive, que estreia no próprio canal Maximum Metallica, não é merchandising disfarçado nem conteúdo raso para fã-clube. É Lars sendo Lars: chatão (ops), obsessivo por som, história, contexto, influência. Um cara que sempre entendeu que música se vive além do palco; no discurso, na curadoria e na forma como você ocupa o ao redor da sua obra.

E aqui está o ponto central e que adoro escrever por aqui: marca não é SÓ um logo.

Marca é território.

Ao assumir um programa autoral, Lars amplia o território simbólico do Metallica sem lançar um disco novo, sem turnê, sem camisetas. Reforça autoridade, repertório e profundidade. Vai além de ser o baterista da maior banda de metal do planeta, se mostrando um curador cultural dentro do próprio gênero que ajudou a moldar. Algo que ele sempre fez de várias formas, inclusive com os covers que a banda gravou e toca. 

Isso é construção de marca pessoal no estado da e, ao mesmo tempo, blindagem da marca da banda.

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Esse movimento não é isolado. Dave Grohl, por exemplo, transformou sua imagem em algo que vai além do rockstar: storyteller, documentarista, ator/diretor, embaixador emocional do rock e bestseller. Projetos como Sound City ou Sonic Highways vendem Dave Grohl como alguém que entende, respeita e preserva a história da música.

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Dave Grohl com o Foo Fighters no The Town
Foto por Stephanie Hahne/TMDQA!

Outro caso cirúrgico é Trent Reznor. Ao migrar para sonoras, vencer Oscars e circular entre , e arte contemporânea, reposiciona sua marca pessoal como algo maior do que o Nine Inch Nails. Resultado? Cada novo movimento da banda volta carregado de prestígio cultural.

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Rihanna entendeu cedo algo que muitos artistas ainda ignoram: a música é só uma das camadas da marca – ainda a principal, mas nem sempre a mais lucrativa.

Quando ela cria a Fenty Beauty, não está “licenciando” seu nome, mas sim definindo um território cultural: diversidade real, inclusão como produto, estética, comportamento e linguagem. O resultado é uma marca que conversa com moda, beleza, música e pop de forma orgânica, sem depender de lançamentos de álbum.

Esse é exatamente o mesmo jogo que Lars Ulrich joga com o Lars’ Deep Dive. O meio muda, mas a lógica é idêntica: ocupação inteligente de território autoral.

Um exemplo feminino tão inteligente quanto menos óbvio é o da Hayley Williams. Quando ela cria a Good Dye Young, não está fazendo uma “linha de produtos de artista”, nem explorando vaidade ou hype. Hayley transforma algo que sempre foi parte da sua identidade pública, o cabelo como extensão estética, emocional e política, em marca com propósito, discurso e comunidade.

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A Good Dye Young nasce falando de autoexpressão, liberdade, diversidade e cuidado real com quem consome, muito alinhada com a maturidade criativa do Paramore ao longo dos anos. É super coerente com ela. O resultado é que Hayley fortalece sua marca pessoal fora do palco sem diluir a força da banda; pelo contrário, amplia o significado do Paramore como um projeto que sempre falou sobre identidade, crescimento e autonomia.

Quando o branding é verdadeiro, o produto vira consequência.

No fundo, esses casos mostram a mesma verdade: marca pessoal forte nasce de coerência. Todos eles entendem exatamente onde a sua voz faz mais sentido — e ocupam esse espaço com propriedade.

O erro comum de muitos músicos é achar que marca pessoal se resolve com estética de Instagram, collabs oportunistas ou frases de efeito. Não se resolve. Marca se constrói com presença consistente, narrativa própria e ocupação inteligente de território.

O Lars’ Deep Dive não existe para “promover o Metallica”. Ele existe porque Lars tem algo a dizer e isso pode promover o Metallica também mais do que qualquer campanha tradicional.
Como se precisasse…

O rádio é só mais um palco.

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