Mendes já havia sido preso em flagrante em abril — mas por crimes não relacionados com os golpes praticados por sua agência, que acumula mais de 34 mil processos movidos por consumidores. Ele foi pego com mais de R$ 23 mil em obras de arte furtadas de um hotel de luxo e de um shopping no Rio de Janeiro. Ficou preso quase cinco meses no presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta. Foi solto sob a condição de utilizar tornozeleira eletrônica.
Mendes foi responsável por criar o conceito de pacotes sem data definida — e que prometia baratear as viagens promovendo a inclusão de brasileiros de baixa renda. A empresa foi fundada por João Ricardo e seu irmão em 2010 como Hotel Urbano, e prometia descobrir ofertas usando ‘algoritmos inteligentes’. A empresa surfou na onda da bolha da internet e chegou a captar US$ 50 milhões com grandes fundos de venture capital como o Tiger Global.
Quando os fundos descobriram que o modelo não parava de pé, realizaram o prejuízo e devolveram a empresa para os irmãos a um preço simbólico.
O Hurb funcionava no esquema de pirâmide. Como na hora de honrar os pacotes eles custavam invariavelmente mais do que o preço de venda, a Hurb precisava manter as vendas constantes — e dependia ainda que uma parcela significativa de clientes desistissem de voar e deixasse que o prazo para viajar expirasse. Além dos próprios canais, a empresa também distribuía comissão para influenciadores venderem pacotes.
Na pandemia, contudo, a pirâmide tomou grandes proporções e saiu do controle. A empresa vendia pacotes a preços irrisórios em grandes volumes: chegou a captar mais de R$ 3 bilhões. E como o setor de turismo estava parado, a empresa não tinha custo de embarcar os clientes que tinham comprado pacotes antes da pandemia. Na hora que o mercado de turismo retomou, contudo, com a demanda em alta e preços inflacionados, a Hurb não tinha caixa para pagar os pacotes e deixou clientes na mão. No auge da crise, só quem falava bem da empresa nas redes sociais conseguia voar — enquanto a maior parte da clientela ficou a ver navios. Irritado com as queixas, chegou a xingar e expor dados de clientes em grupos de WhatsApp.
Figura excêntrica e megalomaníaca, Mendes varava noites no escritório e se mantinha acordado na base de estimulantes como Venvanse e Ritalina — chamadas de drogas de inteligência, popular entre executivos. Um de seus gadgets preferidos é uma espécie de metralhadora lança chamas da The Boring Company, uma empresa de Elon Musk — empresário do qual é grande admirador. Com esse mesmo lança chamas, Mendes foi flagrado em 2022 em um vídeo brincando de perseguir o filho de seis anos da Luana Piovani com Pedro Scooby, seu amigo.
Fonte: UOL ECONOMIA




