Bia Ambrogi, “Pague em 15” e a regulação da IA no audiovisual

Bia Ambrogi, “Pague em 15” e a regulação da IA no audiovisual

Tivemos a oportunidade de bater um papo com Bia Ambrogi, presidente da AproMaisSom e fundadora da produtora InnSaei., uma das figuras mais atuantes na da regulamentação da no Brasil.

Na conversa, Bia não apenas destrincha os desafios, mas aponta caminhos para a solução mais eficiente. Atuando na produção audiovisual e na defesa dos direitos dos criadores, ela é a prova de que a paixão pelo conteúdo e a luta por um mercado justo andam de mãos dadas.

Confira a seguir!

Da pós-produção ao palco legislativo: conheça Bia Ambrogi

Bia, formada em comunicação, mergulhou de cabeça no audiovisual em 1999 trabalhando em casas de pós-produção como Studio Image e Tele Image fazendo supervisão de pós, um campo que a fascinava pela tecnologia. Fez uma especialização em cinema, o que a permitiu ter um olhar mais macro tanto na imagem quanto no som e como eles precisam andar juntos. Passou dez anos entre grandes estúdios, assinando uma grande quantidade de longas e curtas metragens nacionais. 

Essa busca por propósito a levou a abrir sua própria produtora em 2003, a InnSaei.TV, focada em conteúdo para festivais. Há anos, foi convidada a presidir a AproMaisSom, Associação Brasileira de Produtoras de Som, com a missão de unir e estar a frente de melhorias no mercado de imagem e som dentro do audiovisual.

Mesmo aceitando a oportunidade, Bia sabia que seria um grande desafio: 

 “Se for para fazer de um modo diferente, topo o desafio.”

O PL “Pague em 15”: pagamentos e prazos justos 

Quando Bia fala sobre as dores do mercado, são pautas muito válidas que precisam de um olhar mais atento e apoio. A primeira e mais urgente é o prazo de pagamento para trabalhadores do audiovisual. “Tem empresa que chega a pedir 180 dias para o pagamento”, conta ela, lembrando também de projetos que podem levar até um ano para serem pagos integralmente.

É um cenário absurdo onde grandes empresas normalizam a prática de pagar a longo prazo, e até oferecem crédito para as produtoras pagarem suas próprias operações.

Para combater isso, a AproMaisSom está por trás do PL 776 de 2025, o “Pague em 15“, que busca fixar um prazo máximo de 15 dias para pagamentos. Inspirado em uma lei chilena e abraçado pela deputada Érika Kokay, o projeto já está em tramitação e, segundo Bia, é uma pauta prioritária para o Ministério da e para a ministra Margareth Menezes.

A ideia é começar com um teto de R$200 mil (que já cobre a maioria dos orçamentos da publicidade, por exemplo) para facilitar a aprovação e, quem sabe, expandir depois.

A segunda dor é a falta de uma tabela referencial de preços. Sem um balizador, o mercado vira uma bagunça, com orçamentos de R$20 mil e R$60 mil para o mesmo serviço, gerando “abuso de ordem econômica” por parte dos contratantes.

É uma luta difícil, pois a organização das produtoras para fixar preços pode ser interpretada como formação de cartel, como aconteceu com a AproMaisSom. A solução passa por uma regulamentação que reconheça a necessidade de valores mínimos.

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Foto: Bia Ambrogi e Érika Kokay

Como está a regulamentação da IA?

Bia, a AproMaisSom, diversas outras associações e artistas como a UBC, ABRAMUS, Veloso, Milton Nascimento, Djavan, entre outros, estão ativamente engajados na discussão do PL 2338 de 2023, que regula a IA no Brasil. E a postura é clara: a IA veio para ficar, mas precisa de regras.

A primeira grande preocupação é a mineração e o treinamento irregular das IAs. A maioria deles usou dados sem autorização ou licenciamento, o que abre um “mar de judicialização”. A AproMaisSom, junto a outras 42 associações na “Frente Responsável“, defende que a lei deve garantir os direitos autorais, a autorização para uso e a remuneração dos criadores. Querem um fundo setorial, similar ao do audiovisual, que reverta os valores arrecadados do uso da IA para os artistas e para fundos de capacitação. 

Outro ponto crucial é a transparência. A ideia é que, quando uma IA gera algo, seja possível analisar o “prompt” (a “receita do bolo”, como Bia descreve) para entender quais artistas ou estilos serviram de base. Assim, se uma for gerada com referências a Elis Regina, por exemplo, ela deveria receber uma porcentagem justa.

Bia também destaca a obrigatoriedade de 50% de humanos nas fichas técnicas de produções assinadas como uma forma de proteger o mercado e garantir que a IA seja um complemento, não um substituto total. É a ideia de que a criatividade humana é a “matéria-prima” para a IA treinar.

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Foto: Representantes das associações da Frente IA Responsável com a Ministra da Cultura Margareth Menezes

Como o humano e a má podem se complementar? 

A grande questão que Bia levanta é: como usar a IA sem perder o protagonismo humano? Ela defende a IA como um “acelerador de brainstorm”, uma ferramenta para testar ideias. “E se eu fizesse isso meio reggae? E se eu colocasse bateria?”, exemplifica. A IA é um “amigo” para o compositor explorar possibilidades, mas não substitui a sensibilidade e a epifania da criatividade.

Um alerta importante é sobre as vozes sintéticas. “Não use”, aconselha Bia. Se uma voz gerada por IA soa parecida com a de um artista famoso, isso pode gerar um processo legal, mesmo que não haja intenção. A IA, segundo ela, deve ser usada para adaptar uma voz humana autorizada, não para criar do zero sem lastro.

E os direitos autorais? De acordo com a Bia, a IA não pode ser autora, pois a criação é “fruto da capacidade humana”. Se uma máquina apenas cruza informações e gera dados, ela não tem o “espírito dessa sensibilidade” que define a . Portanto, a arrecadação de direitos autorais deve sempre reverter para o ser humano.

Por isso, a AproMaisSom concorda com a retirada de conteúdo 100% gerado por IA das plataformas neste momento de regulação frágil, pois a responsabilidade por discursos de ódio ou preconceito gerados por IA ainda é uma lacuna.

A conversa com Bia Ambrogi nos deixa com uma visão clara: a tecnologia avança, e precisamos avançar com ela, mas com inteligência e ética. A luta da AproMaisSom por leis que garantam pagamentos justos, regras claras para a IA e o respeito à autoria humana não é apenas por um setor, mas por toda a cadeia criativa.

É sobre reconhecer que a música, em sua essência, é humana e que a máquina deve servir a essa humanidade, não subjugá-la. Use a IA como uma poderosa aliada, mas nunca se esqueça da parte humana que pulsa em cada melodia e em cada história.

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