Modelo de cuidado cresce como opção segura, acolhedora e eficaz para idosos com alta dependência
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o atendimento em casa é um cuidado de saúde prestado na residência do paciente, como parte de uma estratégia mais ampla de atenção. O envelhecimento da população brasileira traz novos desafios para famílias e profissionais. Entre eles está a busca por modelos que atendam às necessidades específicas de cada idoso, respeitando suas limitações, preferências e singularidades. Nesse contexto, o cuidado em casa vem se consolidando como alternativa cada vez mais procurada, principalmente para quem acaba de sair de uma internação prolongada, idosos frágeis, pessoas com demência e/ou com alta dependência.
Receber atendimento em casa, no conforto do lar, não é apenas comodidade ou luxo, mas uma forma de acolhimento que faz toda a diferença. Para muitos idosos, especialmente aqueles com mobilidade reduzida, doenças crônicas ou demências, deslocar-se até um serviço de saúde pode ser cansativo, arriscado e, muitas vezes, desnecessário.
Ambiente familiar contribui para o bem-estar
No ambiente do lar, o idoso permanece em um espaço familiar, cercado por memórias, rotinas e objetos que lhe trazem segurança. Esse conforto reduz a ansiedade, favorece o bem-estar emocional e, muitas vezes, melhora a resposta ao tratamento.
Um dos aspectos mais relevantes do atendimento em casa é a redução do risco de infecções hospitalares. Ao ser atendido no lar, um ambiente com menor circulação de agentes infecciosos, o idoso fica menos exposto a microrganismos potencialmente perigosos. Isso é especialmente importante para pacientes frágeis, imunossuprimidos ou com várias doenças associadas (como câncer, diabetes, desnutrição etc.).
Ao entrar na casa do paciente, o profissional de saúde enxerga dimensões que dificilmente seriam visíveis no consultório. Esse contato permite entender a dinâmica familiar, a condição social, os valores, as preferências e o nível de autonomia do idoso. O cuidado em casa possibilita uma avaliação ampla, em um ambiente de confiança, identificando barreiras no espaço físico, prevenindo quedas e orientando adaptações.
Essa visão ampliada transforma o cuidado: ele deixa de ser apenas clínico e passa a contemplar aspectos sociais, emocionais e funcionais. Para o idoso, significa ser visto como pessoa, e não apenas como portador de uma doença.
Por que tantas famílias escolhem esse modelo
Diversos fatores explicam o crescimento desse tipo de atenção:
- conforto e privacidade no espaço do próprio idoso
- redução de custos indiretos (transporte, acompanhantes, tempo)
- manutenção da rotina, o que favorece especialmente pacientes com demência
- escolha de horários mais adequados para a consulta, com presença da família
- ausência de tempo de espera e menor desgaste físico e emocional
- fortalecimento do vínculo entre equipe, paciente e cuidadores
- personalização do cuidado, com planos ajustados às necessidades reais
Para idosos acamados, com demência ou dificuldade de mobilidade, os benefícios são ainda maiores. Além de reduzir o risco de contaminações, evita-se o estresse provocado por ambientes hospitalares, muitas vezes estranhos e desconfortáveis.
Cuidado em casa exige estrutura e visão integrada
Cuidar no domicílio exige organização e um olhar multidisciplinar. Entre as práticas essenciais estão: avaliação detalhada (condições clínicas, cognição, mobilidade e ambiente); plano individualizado de cuidados, atualizado conforme a evolução do paciente; comunicação contínua entre profissionais, família e serviços de saúde; e foco na prevenção, para evitar descompensações e novas internações.
Cuidar no domicílio é valorizar a dignidade de envelhecer. O atendimento em casa oferece mais do que praticidade: devolve ao idoso o direito de envelhecer de forma digna, cercado por sua história, vínculos e afetos. Ao integrar família, cuidadores e equipe de saúde, cria-se um modelo de cuidado mais humano, eficiente e sensível às necessidades dessa fase da vida.
Em um país que envelhece rapidamente, pensar em novas formas de assistência é fundamental. E o cuidado em casa, quando bem planejado e executado, mostra-se uma das estratégias mais completas para proporcionar qualidade de vida, segurança e acolhimento aos nossos idosos.
Dra. Julianne Pessequillo – CRM 160.834 | RQE 71.895
Geriatra e clínica geral, especializada em longevidade saudável
Membro da Brazil Health
Fonte: Jovem Pan




