Por que tanta gente ama ver vídeos de espinhas? A ciência explica

Por que tanta gente ama ver vídeos de espinhas? A ciência explica

O estranho prazer de ver espinhas estourando

Você está rolando o feed tranquilamente quando… pronto. Lá vem ela: uma espinha gigante prestes a explodir. Dois dedinhos enluvados se aproximam, a pele se estica e… ploc! Repulsa? ? Um misto dos dois? Pois é, esse tipo de vídeo divide opiniões, mas tem um motivo curioso por trás dessa sensação. Segundo o pesquisador James Sherlock, PhD em genética comportamental pela Universidade de Queensland, a resposta pode estar na mesma lógica dos de terror. Sim, é isso mesmo que você leu.

“Assistir a vídeos de espinhas ou a filmes de terror provoca respostas fisiológicas parecidas. O cérebro se prepara para reagir a algo que evoluímos para detestar, mas de forma controlada, segura”, explica o cientista.

Ou seja, a gente sente o medo, o nojo e até a adrenalina, mas sem estar realmente em perigo. O cérebro adora esse tipo de “ emocional” controlada.

O cérebro e o prazer de ver o “ploc”

Em 2021, cientistas da Universidade de Graz, na Áustria, decidiram investigar esse fenômeno de uma vez por todas. Eles criaram a Escala de Prazer em Estourar Espinhas (sim, isso existe!), em inglês, Pimple Popping Enjoyment Scale, ou PPES. Mais de 500 pessoas responderam a um questionário sobre o quanto gostavam desse tipo de conteúdo. Depois, os pesquisadores escolheram 80 para assistir a vídeos de espinhas enquanto tinham o cérebro monitorado. O resultado?
As que pontuaram alto na escala tiveram mais atividade em áreas de prazer e menos repulsa durante as cenas. Elas conseguiam controlar melhor o nojo e até sentir uma satisfação genuína vendo aquilo acontecer. Em outras palavras: enquanto uns fogem da tela, outros sentem uma dose de prazer bem real com cada “explosão cutânea”.

Curiosidade mórbida: a origem desse fascínio

Agora vem a parte mais curiosa: segundo os cientistas, esse prazer pode ter relação com algo chamado curiosidade mórbida, aquela vontade de ver coisas “erradas”, perigosas ou nojentas, só para entender o que está acontecendo. De acordo com a , nosso cérebro gosta de resolver incertezas. Quando o vídeo começa, a espinha está lá, intacta, gerando expectativa. O clímax chega quando o pus é liberado, fim da tensão, sensação de alívio. É basicamente o mesmo mecanismo de recompensa que sentimos quando o vilão de um de terror finalmente é derrotado. E não é de hoje que a ciência tenta entender esse impulso. Estudos mais recentes da própria Universidade de Graz, em 2024, sugerem que essa curiosidade mórbida tem uma função evolutiva. Antigamente, prestar atenção em feridas, doenças e sangue podia nos ajudar a identificar ameaças à sobrevivência. Hoje, a gente faz isso pelo .

Masoquismo benigno: prazer no desconforto

Além da curiosidade mórbida, há outro conceito interessante envolvido: o masoquismo benigno. Calma, não tem nada a ver com dor de verdade, trata-se do prazer em sentir emoções negativas em situações seguras. É o mesmo princípio de quem come pimenta, anda de montanha-russa ou assiste a filmes tristes.

“Essas experiências são inicialmente desagradáveis, mas sem perigo real”, explica o austríaco. “Ver vídeos de espinhas permite que as pessoas se envolvam com emoções negativas sem risco.”

Ou seja: é um jeito de brincar com o próprio desconforto. A repulsa se transforma em curiosidade, e o nojo, em satisfação. No fundo, a mente parece dizer: “Eca!… mas que delícia ver isso até o fim”.

O que tudo isso diz sobre a gente

A combinação entre curiosidade mórbida, masoquismo benigno e respostas cerebrais ao prazer ajuda a explicar por que esses vídeos são tão populares. Eles são nojentos, sim. Mas também resolvem tensões, ativam recompensas cerebrais e dão aquela sensação de alívio visual que, de algum modo, é relaxante.

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