Quem diria que um episódio sobre mineração, juros compostos e uma bebida horrível renderia uma das experiências mais inteligentes da temporada? O 5º episódio de Frieren e a Jornada para o Além começa quase como uma side quest boba e termina sendo uma reflexão sobre propósito, tempo e as consequências de viver por séculos.
A side quest que virou reflexão
A ideia é simples: Frieren precisa pagar uma dívida e acaba ajudando em uma mina. Parece missão secundária de RPG, só que aí vem a surpresa. Quando ela ativa um feitiço de rastreamento o episódio muda de tom em segundos.
A cena é absurdamente exagerada. Um campo mágico colossal, aura irradiando, trabalhadores caindo para trás. Tudo isso para apontar um laser numa parede, é tão desproporcional que fica genial.
E o mais interessante? Frieren provavelmente nem precisava de tudo aquilo. Ela é pressionada pela dívida acumulada. O administrador claramente usa isso como argumento. Mas ninguém ali poderia impedi-la de sair pela porta se ela quisesse. Fern e Stark já estavam praticamente preparados para armar confusão.
Mesmo assim, ela fica. Não porque foi forçada. Mas porque escolhe ajudar.


Quando a vida eterna encontra juros compostos
Mas o episódio não vive só de espetáculo. A discussão sobre dívida e juros compostos é quase cômica, até você pensar melhor. O que significa contrair uma dívida quando você pode viver mil anos? É um problema logístico ou existencial?
Só que o ponto real não é financeiro. É temporal. Para humanos, 80 anos de dívida é uma sentença de vida. Para Frieren, é inconveniente. O tempo, que para nós é precioso, para ela é maleável. E ainda assim, isso não a impede de assumir responsabilidade. Empatia acima de pragmatismo. Isso diz muito sobre quem ela é.


Milliarde, a história que virou lenda
Se já não bastasse mineração e economia, entra em cena a figura mais caoticamente carismática do episódio: Milliarde. Uma elfa que usou séculos de vida para fazer uma pegadinha elaborada
É aqui que o episódio brinca com uma ideia quase cruel: quando você vive milhares de anos, o que é “uma brincadeira”? Para um elfo entediado, pode ser um passatempo. Para um anão como Fass, pode virar o propósito de toda uma existência. É engraçado? Sim. Mas também é perturbador.
E mesmo assim, é impossível não achar Milliarde memorável. Ela representa o outro lado da imortalidade: o vazio. Quando seu tempo é infinito, qualquer coisa pode virar entretenimento. Inclusive arruinar, sem intenção direta, dois séculos da vida de alguém.


O flashback que muda tudo
O episódio conecta essa situação com um momento do passado. Frieren perguntando ao grupo: “E se alguém passasse a vida inteira buscando algo e descobrisse que era um erro?”
A pergunta é cruel. E quem responde é Heiter. Ele diz que, no final, gostaria de rir com os amigos. Transformar o fracasso em memória compartilhada. Em algo leve. Esse momento é o coração do episódio.
Quando Frieren ri com Fass e divide a bebida horrível, ela está colocando em prática aquilo que aprendeu. Ela poderia ter dito a verdade antes. Poderia ter impedido anos de frustração. Mas naquele instante, o importante não era corrigir o passado, era transformar o presente.


O tempo avança e isso dói bonito
Talvez o detalhe mais poderoso do episódio seja quase sutil demais: a linha do tempo avança. Já se passaram 30 anos desde a morte de Himmel. Quando Frieren conheceu Fern, eram 20. Agora, dez anos se passaram. Dois deles com Stark. E a jornada continua.
Esse avanço constante é o coração de Frieren. Enquanto muitos animes congelam o tempo para preservar personagens, aqui ele corre. Ele pesa. Ele transforma relações. E cada número mencionado nos lembra que, para Frieren, tudo é uma fração. Para os outros, é uma vida inteira.
Isso cria um contraste brutal. O humor sobre trabalhar 300 anos na mina é engraçado, mas também reforça o abismo entre perspectivas de vida. É essa dualidade que faz o episódio brilhar. A leveza nunca apaga a melancolia. Ela só a torna mais suportável.
Frieren e a Jornada para o Além está disponível no Crunchyroll.
Fonte: CINEPOP




