Quase três anos depois do impacto da primeira temporada, Hell’s Paradise volta como se nunca tivesse ido embora. A estreia da segunda temporada não quer convencer ninguém de que o anime ainda é bom. Se parte do princípio de que você já sabe disso. E esse é, ao mesmo tempo, seu maior acerto e seu maior risco.
O primeiro episódio da 2ª temporada assume uma postura quase arrogante: não recapitula, não facilita e não explica demais. A narrativa segue em frente como se o hiato de quase três anos não existisse. Para quem acompanhou a primeira temporada de perto, isso soa como confiança criativa. Para quem esfriou no caminho, pode parecer descuido.
Ambição vs experiência
O problema não é Hell’s Paradise querer contar muita coisa logo de cara, isso sempre fez parte da identidade da obra. A questão é como o episódio distribui essas informações e o que ele escolhe não desenvolver. A estreia da temporada 2 empilha três camadas ao mesmo tempo:
- a nova investida política do shogun no mundo exterior,
- a reafirmação da ameaça dos Tensen como algo agora organizado e consciente,
- a fragmentação definitiva dos personagens dentro da ilha, cada grupo seguindo um eixo próprio.
Tudo isso em menos de 25 minutos. Funciona? Em parte. A direção mantém o controle visual e o roteiro sabe exatamente o que quer construir a médio prazo. O problema pode ser ritmo.


Gabimaru enfraquecido é um acerto
Narrativamente, tirar Gabimaru do auge é uma decisão sábia. O protagonista deixa de ser o centro absoluto e passa a ser um corpo em falha, o que gera tensão.
Essa fragilidade não o diminui, pelo contrário, torna cada escolha mais pesada. Quando ele entra em combate agora, existe dúvida. E dúvida é combustível para tensão.
O combate deixa de ser espetáculo garantido e passa a ser risco. Gabimaru luta, mas não domina. Ele resiste, mas não controla. O anime finalmente transforma sua força quase mítica em um problema narrativo, e isso eleva o nível do conflito imediatamente.


MAPPA continua sendo MAPPA
Com animação impecável da MAPPA, trilha sonora poderosa e direção segura, o episódio 1 da temporada 2 reafirma Hell’s Paradise como um dos animes mais impactantes do gênero. Os detalhes nos olhos, nas armas e nos cenários continuam absurdos, mas nunca vazios. Tudo serve à narrativa.
Se a primeira temporada apresentou o inferno, a segunda parece disposta a explorar o que acontece quando os personagens passam a aceitá-lo. Não se trata do “animação bonita” de fachada, mas de uma linguagem visual que sustenta o tom profundo, ambíguo e brutal da obra. E tecnicamente falando, isso é mais difícil de realizar do que parece.
Nota: 4/5 – Hell’s Paradise não reinventa a roda, mas continua incrivelmente divertido de assistir e visualmente impressionante.
Hell’s Paradise está disponível no Crunchyroll.
Fonte: CINEPOP




