Edu Falaschi e Rafael Bittencourt se reencontraram na noite desta quarta-feira (4), em um encontro reservado e marcado por conversas profundas, após anos de afastamento. A informação foi revelada pelo próprio guitarrista do Angra, que publicou um longo texto nas redes sociais relatando o momento, descrito por ele como um passo importante de reconciliação pessoal e emocional.
Segundo Rafael, os dois passaram cerca de quatro horas a sós, sem público ou intermediários, em uma conversa franca sobre mágoas, erros, silêncios e caminhos que os afastaram ao longo dos últimos anos. O reencontro acontece às vésperas de um momento simbólico: ambos estarão ligados ao Bangers Open Air 2026, festival que marcará o reencontro de diferentes fases da história do Angra no palco.
A relação entre Rafael Bittencourt e Edu Falaschi passou a ser marcada por tensões após a saída do vocalista do Angra, em 2012. Embora o rompimento tenha ocorrido de forma oficial e respeitosa, divergências artísticas, profissionais e pessoais se acumularam ao longo do tempo. Um dos episódios mais sensíveis aconteceu em 2017, quando Falaschi anunciou uma turnê com o nome “Edu Falaschi – Angra Years”, o que gerou um impasse jurídico e público envolvendo o uso do nome da banda. O projeto acabou sendo rebatizado, mas o desgaste entre as partes se intensificou.
Desde então, declarações pontuais, entrevistas e silêncios prolongados evidenciaram uma relação distante, apesar da importância mútua na construção da história do Angra, especialmente no período iniciado com o álbum Rebirth (2001), considerado um dos marcos da banda. O reencontro relatado por Rafael indica uma mudança de postura, com ambos dispostos a revisar o passado e buscar entendimento.
No texto, Rafael também agradece à produção do Bangers Open Air, em especial à produtora Damaris Hoffmann, destacando que o convite para participar do festival foi determinante para que esse reencontro acontecesse. Para o guitarrista, mais do que a celebração musical, o momento representa a superação de desafios humanos e emocionais que acompanham a trajetória de uma banda de longa duração.
Leia o texto publicado por Rafael Bittencourt na íntegra:
“Hoje começa uma nova fase da minha vida.
Depois de 9 anos, tive a oportunidade — abençoada — de sentar frente a frente com Edu Falaschi para uma conversa longa, profunda e absolutamente verdadeira.
Edu é amigo, parceiro e parte de muitas aventuras musicais que moldaram quem eu sou.
Mas as curvas do destino, os tropeços da vida e o silêncio nos afastaram.
Ficamos quatro horas a sós.
Falamos de mágoas guardadas, de sentimentos mal resolvidos, de alegrias que resistiram ao tempo e de tristezas que nunca foram ditas em voz alta.
Os dois interessados em algo raro: o perdão.
Nos colocamos disponíveis para ouvir.
Para acolher as diferenças.
Pedimos desculpas um ao outro.
Pelas dores que ficaram pelo caminho.
Falamos sobre Angra, sobre nossas vidas pessoais, carreira, a pandemia e esse mundo confuso que estamos tentando entender enquanto seguimos em frente.
Quero agradecer profundamente à produção do Bangers Open Air, em especial à Damaris Hoffmann.
Sem o convite para participar do festival, talvez eu ainda estivesse carregando esse peso no peito.
Manter uma banda de sucesso por décadas já é difícil.
Mas manter a harmonia entre os envolvidos é ainda mais difícil, frágil e delicado.
Superar esses desafios é o que dá sentido e profundidade a quem vive diretamente.
O Angra tem uma história linda de superação — na música e nas relações.
E o show do Bangers será uma grande celebração disso tudo.
Espero encontrar vocês lá.
Obrigado, Edu, pelo papo.
Parabéns por suas conquistas.
E que a vida siga mais leve e iluminada daqui pra frente”.




