Volta às origens: Natura &Co vai estudar separação das operações da América Latina e da Avon

Depois de fazer a maior aquisição de sua história, a Natura &Co está caminhando para ficar mais próxima do que era antes, ainda como Natura. A empresa, que já havia vendido a Aesop e a The Body Shop no ano passado, agora está estudando a separação dos negócios da América Latina e da Avon Internacional, que reúne as operações na Europa, África e Ásia.

O conselho de administração deu o aval para as análises da direção executiva. O objetivo é “gerar ainda mais valor” ao acionista, e simplificar a estrutura corporativa, uma tecla em que Fabio Barbosa tem batido com frequência desde que assumiu como CEO, em junho de 2022.

A separação resultaria em duas companhias de beleza independentes e de capital aberto (Natura e Avon), com planos de negócios próprios, governança independente e equipes de gestão com estratégias próprias.

Na visão da companhia, a Natura seria uma empresa com “claro foco” em sustentabilidade, proprietária e operadora da marca Natura em todo o , e com o direito de operar a marca Avon na América Latina. Já a Avon vai operar um negócio diversificado geograficamente.

A Natura continuaria a operar com ambas as marcas na região e a possível separação não afetaria a integração das marcas na América Latina. A Avon, por sua vez, se beneficiaria indiretamente das vendas na América Latina por meio de um acordo comercial com a Natura.

“O objetivo dessa avaliação estratégica é promover o potencial de ambas as empresas, que possuem abrangências geográficas distintas e atendem diferentes consultoras de beleza e consumidores”, afirma a empresa. A separação também pode proporcionar mais autonomia a cada negócio.

O entendimento, diz um gestor que acompanha o papel, é de que a aposta da direção é de que a “soma das partes” será maior do que manter as duas operações em uma só empresa especialmente com resultados ainda fracos de Avon Internacional. “Capaz de ter passivos na Avon que os controladores vão diminuir exposição”, disse uma pessoa ouvida pelo Insight.

No fim de 2023, a Natura &Co anunciou  a troca de comando  da Avon Internacional. Angela Cretu deixou o cargo de presidente em 1º de janeiro de 2024, sendo substituída por Kristof Neirynck, que era diretor de marketing e diretor executivo na região da Europa Ocidental. Em nove meses até setembro, a receita da Avon caiu 11%, para R$ 4,57 bilhões ou -4% considerando ajustes de câmbio.

A Natura reforça, no entanto, que o estudo ainda vai ser feito e apresentado ao conselho, e “não há garantia de que qualquer separação será, em última instância, recomendada.”

No começo deste ano a empresa decidiu deslistar seus recibos de ações da bolsa de Nova York, o que deve acontecer na próxima sexta-feira, 9. Nas negociações pós-mercado de hoje, os ADRs avançavam 2%.

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