A direção de Aidan Zamiri, fotógrafo da cantora que assina seu primeiro projeto cinematográfico, é precisa em replicar esse crescimento desenfreado entre tantos diálogos sobre números e redes sociais. Além disso, o cineasta consegue tornar a trama palatável para todas as audiências, traduzindo referências únicas aos fãs de Charli à uma narrativa agradável para quem nunca ouviu ou até mesmo a quem não gosta de “Brat”.
As atuações também são pontualmente certeiras, seja com celebridades que atuam a si próprias ou a personagens fictícios. Nomes badalados do mundo pop, como Kylie Jenner e Rachel Sennott, fazem participações especiais como uma forma de representar a diferentes arquétipos desse universo, sejam as maiores estrelas como Kylie ou figuras da geração Z como Rachel.
É Alexander Skarsgård, porém, quem rouba a cena aqui. O ator interpreta o diretor fictício Johannes Godwin, que se encarrega do show da cantora no filme, quem faz a ponte entre a arte de Charli e a indústria musical. Seu papel não é nada sutil em abordar os espetáculos megalomaníacos do pop com pulseiras LED, pirotecnias, documentários de turnês e discursos forçados. Caso venha o nome de alguém em sua mente, não é por acaso.
Mais do que satirizar o seu meio, contudo, Charli também questiona a si própria e a como se insere nesse mercado. A autocrítica é parte essencial para entender “Brat” e também “The Moment”, sobretudo na forma com a qual a cantora passa a se cobrar em relação à sua carreira e sua fama pessoal após o disco. O discurso que encerra o filme é autoexplicativo, e costura ponto por ponto o quanto “Brat” representa a maneira que a britânica passou a enxergar a si própria, e como o trabalho a ajudava a fugir de si própria.
Há um trailer fictício ao final do longa-metragem que é bastante explícito em sua crítica. Por alguns minutos, Charli mostra ao público o que seria “Brat” se o disco fosse o que a indústria esperasse dele — ou melhor, se a cantora deixasse de ser a si mesma para ser o que esperam dela. “The Moment” retrata uma artista no auge de sua carreira por ser ambiciosa em ser quem se é, e como essa transparência continua sendo sua maior força criativa, seja na música ou no cinema.
Nota: 8 / 10
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