Sean ‘Diddy’ Combs: os processos e acusações de agressão sexual que pesam sobre a carreira do magnata da música

Sean ‘Diddy' Combs: os processos e acusações de agressão sexual que pesam sobre a carreira do magnata da música
Foto: Getty Images

Alerta de Gatilho – Sexual – Na última segunda-feira, 25, Sean “Diddy” Combs teve suas mansões em Los Angeles e em Miami invadidas pela Polícia Federal dos Estados Unidos em uma investigação sobre tráfico sexual envolvendo o magnata, que acumula inúmeras acusações incluindo abuso, estupro, tráfico sexual e outros atos perturbadores. Na data da invasão, o jatinho particular de Diddy fez um voo para o Caribe e mais cedo, ele foi visto no aeroporto de Miami, mas não foi visto saindo do jato, que pousou na quarta-feira, 27, na ilha caribenha pertencente a Antígua e Barbuda.

As acusações contra Diddy aconteceram no contexto da Lei dos Sobreviventes Adultos do Estado de Nova York, assinada pela governadora  Kathy Hochul, do partido democrata americano, em maio de 2022, e que abriu uma janela de um ano para que as pessoas vítimas de agressão pudessem denunciar crimes prescritos na justiça. O prazo foi encerrado no dia 23 de novembro do ano passado, quando o rapper recebeu as últimas das cinco ações judiciais que pesam contra ele.

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A primeira a ser revelada pela imprensa foi o caso da cantora e ex-namorada do magnata de 54 anos, Cassie, que entrou com uma ação na justiça acusando-o de estupro, agressão e tráfico sexual durante 10 anos. Outras denúncias também envolvem abusos contra menores de idade e um produtor que trabalhou com Diddy entre os anos de 2022 e 2023 que também teria horas de gravações de atividades ilegais cometidas pelo rapper e empresário.

OBS: Violência sexual e contra a mulher é crime e deve ser denunciado. O Disque 100 e Disque 180 acolhem notificações de violações de direitos de públicos mais vulneráveis, como crianças, adolescentes e idosos, entre outros grupos. Os denunciantes são mantidos em anonimato.

Cassie: 10 anos de “controle e abuso”

Uma reportagem publicada pelo New York Times na época, mostrou que a ação movida no Tribunal Distrital Federal de Manhattan por Casandra Ventura, nome verdadeiro da artista, revelava que Diddy ‘iniciou um padrão de controle e abuso quando ela tinha 19 anos, logo depois do início da relação, em 2007, que incluía “forçá-la a usar drogas, agredi-la e forçá-la fazer sexo enquanto a filmava na presença de prostitutas”.

Um trecho da denúncia publicado pela revista People também alegava que Diddy “frequentemente espancou a Sra. Ventura de forma selvagem”, casos testemunhados por funcionários dele. Além disso, depois dos casos de violência, ele a escondia em “hotéis por dias seguidos para deixar seus hematomas sararem”. A denúncia também diz que após um breve relacionamento entre Cassie e o rapper Kid Cudi, o magnata encontrou e-maisl e a agrediu. Um ano depois, ele ameaçou explodir o carro de Cudi. E de fato em um episódio com data aproximada da ameaça, o carro do rapper explodiu na garagem de sua casa.

Quando ela tentou terminar o relacionamento em 2018, ele “forçou a entrada na casa dela e a estuprou”. O relacionamento entre os dois acabou no ano seguinte.

A ação judicial foi finalizada com um acordo milionário fechado entre os dois. No dia 17 de novembro, Cassie emitiu um comunicado para a imprensa que dizia: “Decidi resolver este assunto amigavelmente, nos termos em que tenho algum nível de controle”. Os detalhes do acordo não foram divulgados.

Joi Dickerson-Neal: drogas, estupro e “pornografia de vingança”

O rapper Sean “Diddy” Combs foi acusado de agressão sexual por Joi Dickerson-Neal em uma ação movida na Suprema Corte de Manhattan, menos de uma semana depois de resolver um processo com Cassie. Dickerson-Neal alegou que Combs a drogou e estuprou enquanto ela era estudante universitária em 1991.

Segundo os documentos judiciais, ela afirmou ter sido vítima de “pornografia de vingança”, alegando que Combs gravou a agressão sexual e compartilhou a fita com outras pessoas da indústria musical.

Os documentos contam que Dickerson-Neal foi apresentada a Diddy por amigos e que concordou relutantemente com um encontro com Combs por já ter ouvido falar sobre sua fama de agressão à mulheres. Depois de deixar sua bebida na mesa durante o jantar, a vítima afirmou que não conseguia ficar de pé ou andar sozinha. “Dias depois, um amigo revelou a ela que havia visto a ‘fita de sexo' junto com outros homens”, afirma o documento anexado no processo.

Dickerson-Neal conta que a agressão afetou sua saúde mental, levando-a a abandonar a faculdade sem receber seu diploma. Combs negou as acusações, alegando que Dickerson-Neal inventou a história. O processo ocorreu próximo ao fechamento da janela da Lei dos Sobreviventes Adultos do Estado de Nova York.

“Este processo de última hora é um exemplo de como uma lei bem-intencionada pode ser virada de cabeça para baixo. A história de 32 anos da Sra. Dickerson é inventada e não é credível. Combs nunca a agrediu e ela implica empresas que não existiam. Isso é puramente para ganhar dinheiro e nada mais”, alegou um porta-voz de Sean ‘Diddy' Combs em comunicado à People.

Liza Gardner: “fisicamente forçada a fazer sexo com Combs contra sua vontade

Liza Gardner, anteriormente identificada como Jane Doe, moveu uma ação contra Sean Combs na Suprema Corte do Condado de Nova York no mesmo dia em que a ação de Dickerson-Neal foi iniciada.

Ela alegou que Combs e cantor e compositor Aaron Hall se revezaram no estupro dela e de uma amiga há mais de 30 anos em Nova York, após conhecê-los em um evento da Uptown Records. Mais tarde, no apartamento de Hall, Gardner afirmou que foi coagida por Combs a ter relações sexuais ele e depois do ato “deitou na cama, chocada e traumatizada”. “Enquanto ela estava se vestindo, Hall invadiu a sala, prendeu-a e forçou Jane Doe a fazer sexo com ele.”, afirma o documento que diz ainda que a outra mulher foi forçada pelos dois homens a fazer sexo com eles em outro quarto.

A vítima cona que dias depois Sean “Diddy” Combs se tornou violento, sufocando-a até desmaiar. Um porta-voz de Combs negou as acusações, chamando-as de fabricados e dizendo que eram uma tentativa de ganhar dinheiro às custas da fama de Combs. O porta-voz também afirmou que “O Legislativo de Nova York certamente não pretendia ou esperava que a Lei dos Sobreviventes Adultos fosse explorada por golpistas. O público deveria ser cético e não se apressar em aceitar essas alegações falsas.”

No início deste mês, Liza Gardner apresentou uma queixa alterada que afirma que ela tinha 16 anos na época da agressão sexual. Nos anos 90, a idade mínima de consentimento para relações sexuais era de 17 anos. A alteração dá conta de que ao invés de ‘coagida' a ter relações sexuais com Combs, Liza Gardner foi “fisicamente forçada a fazer sexo com Combs contra sua vontade”.

“Na época em que Combs agrediu a Sra. Gardner, ela se lembra de ter sentido os efeitos colaterais do álcool”, diz um trecho da denúncia publicado pela revista People. “Ela se lembra de Combs montando nela e forçando sua saia para cima, puxando sua calcinha para o lado e penetrando-a com força.”

Jane Doe: tráfico sexual e estupro coletivo

No dia 6 dezembro de 2003, uma mulher chamada Jane Doe moveu uma ação em Nova York, acusando Sean Combs e também o ex-presidente da Bad Boy Entertainment, Harve Pierre, e um terceiro indivíduo de tráfico sexual e estupro coletivo quando ela tinha 17 anos.

Segundo o processo, Jane Doe foi abordada por Pierre em um lounge em Michigan e convencida a pegar um jato particular para o estúdio de gravação de Combs na cidade de Nova York, onde supostamente foi estuprada em grupo após receber drogas e álcool. O advogado de Jane Doe, Douglas H. Wigdor, afirmou que os réus atacaram uma adolescente vulnerável como parte de um esquema de tráfico sexual, deixando marcas permanentes em sua cliente.

Sean Combs negou as acusações, afirmando que foram feitas por indivíduos em busca de lucro rápido: “Alegações repugnantes foram feitas contra mim por indivíduos que buscam um pagamento rápido. Deixe-me ser absolutamente claro: não fiz nenhuma das coisas horríveis que estão sendo alegadas. Lutarei por meu nome, minha família e pelo verdade”, disse.

Rodney ‘Lil Rod' Jones: agressão sexual e ameaças

Rodney “Lil Rod” Jones, ex-produtor e cinegrafista de Sean Combs, entrou com uma ação no tribunal federal de Nova York alegando ter sofrido assédio sexual, ter sido drogado e recebido ameaças por parte do fundador da Bad Boy Records.

Jones produziu nove músicas do álbum “Love” de Combs entre setembro de 2022 e novembro de 2023, morando e viajando com ele durante esse tempo, além de passar férias com o artista em outros países. Nesse período, ele afirma ter sido forçado a filmar Combs e ter acumulado horas de gravação de atividades ilegais.

O processo também inclui nomes como o do filho adulto de Combs, Justin, além de sua chefe de gabinete, Kristina Khorram, o CEO do Universal Music Group, Sir Lucian Grainge, e o ex-CEO da Motown Records, Etiópia Habtemariam.

Jones alega ter sido vítima de toques não solicitados e ter sido exibido vídeos pornográficos como forma de coerção: “foi vítima de constantes apalpadelas e toques não solicitados e não autorizados em seu ânus pelo Sr. Combs”.

Além disso, acusa Combs de trazer prostitutas para casa e de possivelmente tê-lo drogado e estuprado. O processo diz ainda que “Sr. Combs fornece bebidas alcoólicas a menores e profissionais do sexo em suas casas na Califórnia, Nova York, Ilhas Virgens dos EUA e Flórida.”

O advogado de Combs negou as acusações, chamou Jones de mentiroso e buscou desacreditar suas afirmações. Justin Combs também negou as acusações, chamando-as de absurdas e ameaçando consequências legais contra declarações difamatórias sobre sua família.

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