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Ministério Público aponta que delegado preso usava Polícia Civil para beneficiar bicheiros

Na denúncia que levou à prisão do ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro Allan Turnowski, na manhã desta sexta-feira (9), o Ministério Público aponta a ligação do servidor público e de outro delegado, Maurício Demétrio, preso desde o ano passado, com o jogo do bicho, em especial com o grupo que foi coordenado por Fernando Iggnácio, morto em novembro de 2020.

Segundo a denúncia apresentada pela Promotoria e obtida pela CNN Brasil, os delegados e os bicheiros estavam envolvidos em uma “organização criminosa do tipo armada, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens econômicas e de outras naturezas, mediante a prática de diversas infrações penais, em especial a exploração ilícita de jogos de azar, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e homicídio qualificado, entre tantos outros”.

Turnowski, que atualmente é candidato a deputado federal pelo PL, e Demétrio seriam braços de Fernando Iggnácio, que disputava a herança do bicheiro Castor de Andrade com Rogério de Andrade, sobrinho do contraventor. Eles teriam a função de usar os recursos e estrutura da Polícia Civil para ajudar na guerra entre os grupos.
Demétrio, de acordo com o Ministério Público, teria vazado informações sobre investigações sigilosas, intermediado o pagamento de propina a servidores públicos e cooptado colegas da Polícia Civil.

Já Allan Turnowski seria um “agente duplo”, atuando de forma “velada e dissimulada” para obter detalhes junto a aliados de Rogério de Andrade, como Ronnie Lessa, acusado de executar a vereadora Marielle Franco, e repassar para o bando de Fernando Iggnácio.

Investigações do Ministério Público, baseadas em um farto material de conversas de celular, mostram que os delegados chegaram a pensar em um plano para matar Rogério de Andrade em troca de R$ 3 milhões, que seriam divididos entre eles e um comparsa.

Os indícios levantados pelos promotores também indicam a participação de um terceiro delegado, Antônio Ricardo, ex-chefe do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa e atualmente candidato a deputado estadual pelo Podemos. Ele foi alvo da operação desta sexta-feira.

Em setembro de 2017, a organização criminosa teria negociado propina com Ricardo, então titular da 11ª Delegacia da Rocinha, para tentar a transferência de um traficante rival.

Já Maurício Demétrio ainda teria se envolvido em mais conexões criminosas, procurando policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) para oferecer vantagens indevidas em troca de evitar investigações contra a milícia de Rio das Pedras, comandada por Adriano da Nóbrega, o capital Adriano, morto pela polícia na Bahia, em fevereiro de 2020.

Procurada pela CNN, a assessoria de Allan Turnowski informou que não soube até agora o motivo da prisão e que ela “foi um movimento de perseguição política, realizado por um grupo específico infiltrado no Ministério Público. Este grupo não quer que ele seja eleito por medo de ser investigado”.

Além disso, a assessoria informou que a defesa já apresentou um habeas corpus pedindo a liberdade imediata em virtude do desconhecimento do processo.

A defesa de Antônio Ricardo afirmou à CNN que a operação de busca e apreensão “foi efetivamente cumprida e nenhum objeto ilícito foi encontrado, corroborando que não há nenhum envolvimento dele em atos criminosos vinculados com contraventores do jogo ilegal, nem com o investigado preso”.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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