Mesa Ancestral: chefs negras realizam jantar para levar sabores e compartilhar saberes ancestrais da gastronomia

Mesa Ancestral: chefs negras realizam jantar para levar sabores e compartilhar saberes ancestrais da gastronomia

Hoje acontece em São Paulo, a segunda edição do Mesa Ancestral, um jantar privado organizado pela chef Bianca Oliveira, que terá como chefs convidadas Thayná Negreiros e Talita Jacone. Segundo informações divulgadas pelas intituladas afrochefs, o jantar tem como propósito “levar saberes e sabores ancestrais” para o público.

O evento foi idealizado pela chef Bianca Oliveira, uma mulher negra, lésbica e mãe solo, que em 2022 reuniu cerca de 20 amigos para os quais preparou o primeiro jantar, em São Paulo. “Ainda não tinha o nome da ‘Mesa Ancestral'. Era um jantar onde eu me propus cozinhar para essas pessoas, trazer a culinária ancestral e durante o preparo as pessoas estavam comigo na cozinha e eu fui falando sobre a culinária ancestral, fui falando sobre a culinária, sobre as problemáticas do racismo e as problemáticas de estrutura econômica, e foi rico”, destacou a chef.

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Em sua segunda edição e com um nome para identificá-lo, o evento deve reunir 70 pessoas. E para esse novo momento, a chef convidou Thayná Negreiros e Talita Jacone. “Nesse ano de 2023, novamente em São Paulo, eu decidi fazer novamente esse jantar, só que eu resolvi dar nome para ele, porque eu falava da minha ancestralidade, da nossa ancestralidade e da ancestralidade de nosso povo. Só que eu precisava de mais pessoas para trabalhar. E claro que eu convidei essas duas pessoas, chefs de cozinha que assim como eu estão começando suas carreiras e está sendo um prazer trabalhar com essas duas mulheres, Thayná e Talita, pessoas que eu conheci através da gastronomia, que a gastronomia ancestral me trouxe de presente”, destacou.

No Instagram, elas reforçaram o fato de três mulheres negras que têm seus próprios negócios na gastronomia estarem dando visibilidade à culinária ancestral. “Três mulheres Pretas que estão à frente dos seus Negócios e que tem um propósito: o de fazer com que a Culinária Ancestral ultrapasse barreiras, quebre padrões, tenha visibilidade e seja respeitada!”.

A chef Bianca Oliveira é embaixadora do Fundo Agbara e é dona do restaurante Casa do Dendê Aracaju, na capital do Sergipe. Ela é iniciada na culinária ancestral e desenvolve um trabalho de valorização do alimento diaspórico que tem origem no terreiro. “O intuito desse jantar é fazer, primeiro, com que as pessoas de uma outra classe, entendam e respeitem o motivo de a gente falar tanto da nossa ancestralidade e da nossa alimentação ancestral, o quão ela é importante. É de onde a gente vem, é o começo do Brasil, é o começo do mundo. Vem de África e a África é o começo da humanidade”, pontuou ela.

“Minha intenção é fazer com que a Mesa Ancestral cresça ainda mais, que mais mulheres pretas venham para a cozinha, que mais de nós sejamos reconhecidas e que a gente não precise estar com outras chefs renomadas, a gente pode, mas também pode fazer esse trabalho, porque é um trabalho que nasce com a gente, a ancestralidade nasce muito forte com a gente na culinária”

Fundadora da Alimento, empresa que serve banquetes em eventos, marmitaria e refeições, a chef Thayná Negreiros conta que seu negócio a conecta com sua ancestralidade. “Me conecta com minha ancestralidade e me permite ser protagonista na construção da minha própria história”.  

Talita Jacone cozinha desde os 9 anos e em 2020 começou a se dedicar à carreira artística, com a pandemia, ela e a mãe iniciaram a venda de comida depois das perdas financeiras causadas pelo período de isolamento social. Juntas, elas fundaram a Comidinhas Jacone.

A reunião das três chefs em São Paulo é também uma demonstração da força da gastronomia ancestral e de mulheres negras à frente de seus negócios no segmento.

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