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Economia

Lula prega estado laico e diz que igreja ‘não tem que ter partido’ em SP

Imagem: André Porto/UOL

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu hoje o estado laico “de verdade” durante discurso em comício no vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. Em referência indireta ao presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula falou que “igrejas não têm que ter partido” e criticou o uso político da fé.

O voto evangélico tem sido um dos mais disputados pelas campanhas, e o tema religião vem tomando o noticiário eleitoral, principalmente após polêmicas envolvendo a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
O apoio evangélico, mais bolsonarista, tem sido um dos temas mais debatidos na campanha petista. O PT avalia que o ex-presidente tem de falar com esse público, mas não quer entrar no debate das chamadas “pautas de costume”.

Em seu discurso, Lula disse que falaria sobre a questão religiosa, que “está na moda agora”.

“Tem muita fake news religiosa correndo por esse mundo. Tem demônio sendo chamado de Deus e tem gente honesta sendo chamada de demônio. Tem gente que não está tratando a igreja para cuidar da fé ou da espiritualidade, está fazendo da igreja um palanque político ou uma empresa para ganhar dinheiro”, disse sem citar nomes.

E eu quero dizer para vocês: Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, defendo o estado laico. O estado não tem que ter religião, todas as religiões tem que ser defendidas pelo Estado. Mas também quero dizer: as igrejas não têm que ter partido político porque as igrejas têm que cuidar da fé, da espiritualidade das pessoas e não cuidar de candidaturas, de falsos profetas ou de fariseus que estão enganando esse povo o dia inteiro.
Ex-presidente Lula em comício no vale do Anhangabaú, em São Paulo

Segundo pesquisa Datafolha divulgada esta semana, Bolsonaro ampliou sua vantagem sobre Lula no eleitorado evangélico. O presidente tem agora 49% das intenções de voto do segmento, contra 32% do petista.

Este foi o primeiro comício oficial de campanha de Lula na cidade de São Paulo, depois de um ato no ABC e outro em Belo Horizonte. Em sua fala, o ex-presidente seguiu criticando a economia do país atualmente, rebateu fake news e defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), comparando-a a Tiradentes.

Apoiadores do ex-presidente Lula (PT) no vale do Anhangabaú

Também participaram do ato o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) e os nomes da aliança em São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao governo, e o ex-governador Márcio França (PSB), ao Senado.

Emocionou. Em ato raro, Dilma discursou. A ex-presidente costuma ser a pessoa mais aplaudida nos comícios petistas, depois de Lula. Com gritos de “Dilma guerreira”, ela se emocionou antes de começar a fala. “Eu vou chorar, gente”, advertiu.

É a segunda vez que ela fala desde a pré-campanha. Antes, só havia discursado em Porto Alegre, onde mora, no início de junho. Dilma falou que amava o público e aproveitou para elogiar Lula.

“Tenho muito orgulho de ter sido ministra-chefe da Casa Civil do [governo] Lula. Talvez seja um dos poucos que combina duas coisas: uma grande capacidade política de construir consensos e futuros para nós, mas também um dos maiores gestores que conheci”, disse.

Ex-presidente Lula (PT) em comício no Vale do Anhangabaú, em São Paulo

Dilma e Tiradentes. No início de sua fala, Lula elogiou Dilma e agradeceu ao público presente no Anhangabaú por não “condenarem” a ex-presidente após o impeachment. Para ilustrar, Lula citou Tiradentes que fora assassinado por seus ideais e, posteriormente, considerado herói nacional.

“Veio falar com vocês agora há pouco uma mulher que foi eleita democraticamente pela maioria do povo brasileiro, e um belo dia inventaram uma mentira contra ela, de pedalada. Imagina uma pedalada da Dilma contra as motociatas que esse genocida faz hoje. Por conta da mentira, o Congresso Nacional cometeu o erro histórico de votarem pelo impeachment dela”, disse o candidato do PT.

Novos vídeos. Produzido por Janja, esposa de Lula, o novo jingle da campanha foi apresentado. Uma atualização do clássico “Sem medo de ser feliz” agora ganha ritmo de forró. Janja, como de costume, apresentou o vídeo dançando e levantando o público, em uma homenagem à região Nordeste, nas palavras dela.

Outro vídeo foi apresentado, com uma música inédita até então. O vídeo de apresentação deste mostra fotos de Lula com grandes líderes mundiais — como o papa Francisco e Barack Obama — mescladas a imagens de Lula jovem, nas ruas, como militante.

No ritmo de um piseiro, o refrão evoca o “faz o L”, bordão de apoio a Lula que tomou as ruas durante a pré-campanha.

“Tchutchuca”. Após o presidente Bolsonaro tentar retirar o celular de um youtuber que o confrontou em Brasília na quinta, o caso rodou as manchetes. Bolsonaro se irritou a ser chamado de “tchuchuca do Centrão”.

O apelido foi relembrado por diversas lideranças, inclusive por uma paródia de “Está Chegando a Hora”, cantada no palco, que dizia “O Lula já vem vencendo, meu bem. Tchuchuca já vai embora”.

“O outro [Bolsonaro] tá batendo até um youtuber no meio da rua! Ele está preocupado em perder a eleição, mas não só. Ele sabe que assim que sair daquela cadeira acaba o sigilo de 100 anos, ele sabe que vai ser preso”, provocou Guilherme Boulos (PSOL), candidato a deputado federal, em seu discurso.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) terminou seu discurso também alfinentado Bolsonaro: “Lula presidente para derrotar o ‘tchutchuca fascista’, e aqui com Haddad e Márcio França [candidato ao Senado pelo PSB] para derrotar os bolsonaristas de sapatênis de São Paulo”.

“Novas Diretas”. O Vale do Anhangabaú foi escolhido como lugar do primeiro comício por sua importância histórica. O largo foi um dos símbolos da campanha pelas Diretas Já durante a redemocratização, nos anos 1980.

Com forte pauta de “democracia contra o fascismo”, o PT tem tentado recuperar o tom de luta pela democracia e se inspira na campanha da redemocratização para formar uma “Novas Diretas”, com união ampla de partidos.

A tentativa de relacionar os dois eventos foi lembrada por vários dos que falaram, como o candidato a deputado Boulos e Luciana Santos, presidente do PCdoB.

Frente ampla. Lula também aproveitou o comício para reunir partidos de fora da aliança, como o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que faz uma ligação do partido com o agro, setor intimamente bolsonarista.

É previsto que Alckmin viaje ao Centro-Oeste para conversar com lideranças do setor, guiado por Fávaro e pelo deputado Neri Geller (PP-MT). Geller chegou a ser considerado ir ao palanque, mas sofreu resistência do partido, coligado nacionalmente com Bolsonaro.

Fora do ninho. O ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes (PSDB) integrou o palanque petista hoje. Antigo opositor ao PT, ele declarou voto em Lula já no primeiro turno em maio, quando o PSDB ainda tinha pré-candidato ao cargo.

Durante a fala de Alckmin, Nunes foi lembrado pelo candidato à vice-presidência. “Estávamos há 40 anos do mesmo lado, do lado da democracia, do lado do povo. Hoje, quase 40 anos depois, voltamos aqui porque o Brasil precisa, a democracia está em risco, nós precisamos fortalecer o processo democrático”.

Início de campanha. Na terça (16), o ex-presidente abriu a campanha oficialmente em uma visita à porta de uma fábrica em São Bernardo do Campo (SP), no ABC Paulista, onde começou a carreira sindicalista. Lula falou a trabalhadores, tratou de temas sociais e econômicos e fez acenos a evangélicos.

Na quinta (18), foi para Belo Horizonte fazer o primeiro grande comício da campanha. Lula falou para milhares de pessoas na Praça da Estação, região central da cidade.

Frio, sem chuva. O clima era uma das principais preocupações da organização do evento. A campanha temia que a previsão de 7ºC e chuva fina agastassem apoiadores. Sem chuva, todos os presentes foram extremamente agasalhados ao ato, com gorros, luvas e mais de um casaco. Foi permitida a entrada de guarda-chuvas e capas.

Fonte: UOL

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