Lula defende realização de eleições livres e a alternância de poder na vizinha Venezuela

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira a realização de eleições livres e a alternância de poder na Venezuela. O petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o pleito presidencial de outubro, deu uma entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros em São Paulo.

Ao ser questionado sobre o país vizinho, o ex-presidente afirmou que gostaria de desejar à Venezuela o que quer para o Brasil. “Que as eleições sejam sempre mais livres e que se acate o resultado”, afirmou, em crítica indireta também aos ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral.

“Defendo alternância de poder não só para mim. Desejo para a Venezuela e para todos os países. Não há presidente insubstituível. O Brasil vai tratar a Venezuela com respeito.” O ex-presidente era aliado de Hugo Chávez, e a relação ainda próxima do PT com o ditador Nicolás Maduro —bem como com figuras como Daniel Ortega, na Nicarágua— é vista como vidraça por críticos.

Lula deu a entrevista ao lado dos ex-ministros Aloizio Mercadante e Celso Amorim –principal nome do petista para assuntos externos. O ex-presidente afirmou ainda que teve uma extraordinária relação com a Venezuela quando esteve no poder e que deseja que o país vizinho “seja o mais democrático possível”.

“Não concordei quando a União Europeia inteira aceitou [Juan] Guaidó como presidente da Venezuela. Ele era um impostor, está provado que era um impostor. Sempre aprendi a respeitar a autodeterminação dos povos de um país, não posso ficar me metendo”, disse o petista. O Brasil, sob Bolsonaro, também reconheceu o autoproclamado Guaidó como presidente.

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Ainda sobre o assunto, o petista elogiou a reaproximação da Casa Branca com a ditadura venezuelana. Com a guerra da Ucrânia, os EUA tentam ampliar o leque de fornecedores de petróleo e, consequentemente, reduzir o preço internacional da commodity –a Venezuela é um dos maiores exportadores do mundo. “Fiquei feliz de ver que o [presidente dos EUA, Joe] Biden está tentando uma nova aproximação com a Venezuela e espero que não seja só por causa do petróleo, espero que seja por causa da civilização”, disse Lula.

O ex-presidente disse também que, caso eleito, pretende fazer do Brasil um moderador nas negociações de paz na Europa –ele já havia defendido tese semelhante, ao pedir maior intervenção do Brics no assunto. Na entrevista desta segunda, Lula citou o conflito para estimular a criação de uma nova governança mundial. Segundo o ex-presidente, é preciso que mais países integrem o Conselho de Segurança da ONU e que as Nações Unidas como um todo sejam reformuladas para evitar novas guerras.

Como exemplo, o petista disse não admitir um conflito entre e Taiwan, acirrado após a visita da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha rebelde. Ele citou também o conflito entre israelenses e palestinos e disse que “a ONU teve força para criar o Estado de Israel, mas não tem força para criar o Estado palestino”.

Como tem feito frequentemente, Lula acusou Bolsonaro de isolar o Brasil e defendeu a criação de um pacto global para frear as mudanças climáticas –ideia, aliás, semelhante à proposta por Biden. “É preciso que a gente decida isso a nível internacional e que essa decisão valha para todos os países do planeta Terra”, afirmou. O assunto já havia sido mencionado em uma reunião recente do ex-presidente com embaixadores.

Fonte: folha.uol.com.br

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