Geekonomy: a criançada aí na sua casa já começou a programar?

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 (Getty/Getty Images)

 

Por Cauê Madeira*

Sou do tempo em que era imprescindível saber inglês. Verdade seja dita, ainda é muito importante, mas o acesso a informação hoje é bem mais fácil, com tradutores, softwares e mesmo a produção nacional de conteúdo em tantas frentes. Existe até uma conversa muito importante sobre inclusão e acesso no recrutamento de profissionais, em que o inglês fluente se torna um requisito para se preencher uma vaga que, afinal, nem era tão necessário assim nas atribuições do dia a dia daquele profissional.

Ou seja, ser fluente em inglês pode abrir muitas portas, mas as barreiras se reduzem. Já é possível consumir conteúdo em praticamente qualquer língua do planeta com algum conhecimento e acesso à tecnologia.

E por falar em tecnologia, inclusão e acesso, não é de hoje que sabemos da importância da proficiência com o universo digital. O acesso à internet é considerado um direito humano básico pela ONU há quase cinco anos. A pandemia, claro, acelerou a urgência e importância disso.

A prova disso é que a própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) passou a incluir a competência de Cultura Digital. Isso significa que os alunos precisam desenvolver, até o fim do Fundamental, habilidades relacionadas a utilização de ferramentas digitais, produção multimídia, análise de dados e lógica de programação, incluindo domínio de algoritmos e algumas linguagens.

Porém, nem todas as escolas têm programação no currículo, o que faz com que parte do potencial de desenvolvimento e criação das crianças não seja plenamente trabalhado. Com isso, podem ser perdidos alguns benefícios dessa aprendizagem. Programar é uma questão de autonomia. De criar suas próprias soluções, de viabilizar ideias e projetos de todo tipo. E por isso cultura digital não é só uma habilidade opcional. É essencial, é política, e precisa ser universal. Roberto Moreno, diretor pedagógico da BYJU’S FutureSchool, maior edtech do mundo em educação interativa e que chegou ao Brasil em 2021, listou seis dos benefícios que esse ensino traz para as crianças.

1. Desenvolvimento do raciocínio lógico e do pensamento matemático

A linguagem da programação utiliza códigos que são considerados complexos e o programador precisa desenvolver e aplicar o raciocínio lógico. Exige muita concentração, o que acaba estimulando o lado esquerdo do cérebro, que é a região responsável por coordenar as capacidades de análise, lógica e criatividade, fazendo com que essas três habilidades fiquem mais apuradas.

No dia a dia, o estímulo a essas habilidades melhora o desempenho escolar em diversas disciplinas.

2. Estimula a criatividade

Não há limites para a criatividade no universo da programação, que sempre requer ideias inovadoras para solucionar os desafios que surgem durante o desenvolvimento de um aplicativo ou um jogo. A criança que aprende programação é estimulada e a olhar para o “problema” por diversos ângulos e caminhos para alcançar a solução. Tudo motiva a criação de um aplicativo ou software e mesmo que ela não deseje esse caminho como profissão, o conhecimento adquirido em programação poderá ajudar a ser criativo em todas as áreas da vida.

3. Ajuda na organização dos pensamentos

Assim como todas as disciplinas bem conhecidas, a programação também envolve tipos de linguagem, que possuem uma estrutura e lógica. Para “escrever” um código, a criança sai da sua zona de conforto e precisa saber primeiro o que ela quer (re)produzir, para depois organizar suas ideias e pensamentos, de modo que consiga seguir o que pretende realizar. Essa prática que será conquistada terá impacto também no modo com que ela lida com a vida, como se comunica e dialoga.

4. Ensina a lidar com as frustrações e aumenta a resiliência

Como mencionado anteriormente, a programação é uma área complexa, em que todos os detalhes importam e um erro pode prejudicar todo o funcionamento. Isso estimula a criança a lidar da melhor forma também com os desafios, já que precisa encontrar o erro e consertá-lo, o que irá motivá-la. Fora do universo da programação, isso promove mais inteligência emocional, autocontrole e autoconfiança, além de capacidade de resolução de conflitos, elevando, inclusive, o grau de resiliência da criança.

5. Consumo de internet com mais qualidade

Estamos vivendo em um mundo muito digitalizado. Muito se fala sobre os riscos e malefícios da exposição excessiva a telas e como elas influenciam no desenvolvimento das crianças. Porém, as pesquisas mais recentes demonstram que, mais que o tempo, o que é determinante para o impacto do consumo de telas no desenvolvimento dos jovens é a qualidade do conteúdo a que são expostos. Aprender programação é uma oportunidade de incentivar o uso consciente e sadio, cujas consequências poderão ser sentidas por toda a vida. A programação permite que isso aconteça e muito mais.

6. Diferencial para o seu futuro profissional

Mesmo que não queira seguir o caminho da programação como carreira profissional, esse método de ensino pode colaborar e muito em qualquer área que deseja seguir. O mercado de trabalho está muito competitivo e quem possui mais soft skills e competências digitais na bagagem irá se destacar. A programação é uma forma inovadora e divertida de estimular as crianças desde cedo a desenvolver habilidades que serão cada vez mais necessárias para as profissões no futuro.

*Cauê Madeira é sócio-diretor da Loures Consultoria

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

Fonte: exame.com

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