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Empresa de genética levanta verba para recriar extinto mamute da Era do Gelo

Um ambicioso projeto quer trazer de volta à terra as pegadas de um dos animais mais icônicos da Era do Gelo. Segundo matéria do jornal britânico The Guardian, a empresa de biociência e genética Colossal, fundada pelo empresário de tecnologia e software Ben Lamm, associado ao professor de genética de Harvard George Church, pioneiro em novas técnicas de edição de genes, anunciou nesta segunda-feira (13) que está se capitalizando para recriar o mamute, extinto há dez mil anos.

A recriação de mamutes e a posterior inserção do animal na vida selvagem não é exatamente uma ideia nova – cientistas já discutem a viabilidade há mais de uma década. Agora, com o anúncio da dupla à frente da Colossal de que foram levantados US$ 15 milhões de dólares para dar vida à iniciativa, está mais perto de se realizar o sonho de devolver os animais pré-históricos à tundra ártica.

Lamm e Church definiram seus primeiros passos para a criação de um híbrido de elefante-mamute, fazendo embriões em laboratório que carregam DNA de mamute. O primeiro passo é pegar células da pele de elefantes asiáticos, ameaçados de extinção, e reprogramá-las em células-tronco mais versáteis que carregam DNA de mamute.

Empresa de genética levanta verba para recriar extinto mamute da Era do Gelo • A Referência
Empresa de genética levanta verba para recriar extinto mamute da Era do Gelo 

O mamute peludo, um pré-histórico primo cabeludo do elefante, desapareceu da terra há milhares de anos (Foto: Wikimedia Commons)

A reportagem explica que genes específicos responsáveis ​​pelo cabelo de mamute, camadas de gordura isolantes e outras adaptações ao clima frio são identificados comparando genomas de mamutes extraídos de animais recuperados do solo do Ártico com os de elefantes asiáticos relacionados.

Esses embriões seriam então implantados em uma mãe de aluguel ou em um útero artificial. Considerando o sucesso do experimento – de acordo com os cientistas, os obstáculos são imensos –, o mundo pode testemunhar o nascimento do primeiro par de filhotes daqui a seis anos.

“Nosso objetivo é fazer um elefante resistente ao frio, mas ele terá a aparência e o comportamento de um mamute. Não porque estejamos tentando enganar alguém, mas porque queremos algo que seja funcionalmente equivalente ao mamute, que aproveite seu tempo a -40°C e faça todas as coisas que os elefantes e mamutes fazem, em particular derrubando árvores”, disse Church ao Guardian.

Combate à degradação climática

Além de trazer uma espécie de volta da extinção, o projeto é tratado como uma esperança na conservação da espécie dos ameaçados elefantes asiáticos, equipando-os com características que permitirão a eles prosperar em vastas extensões do Ártico, conhecidas como “estepe do mamute”. Outro aspecto positivo do projeto diz respeito ao meio ambiente. Os cientistas esperam que a introdução de manadas de híbridos de elefante e mamute na tundra ártica auxilie na regeneração do habitat degradado e venha a combater alguns dos impactos da crise climática. Um exemplo citado pelos pesquisadores é que, derrubando árvores, os animais irão ajudar a restaurar as antigas pastagens árticas.

Mas nem toda a comunidade científica está de acordo que recriar animais parecidos com mamutes em laboratório seja a maneira mais eficaz de restaurar a tundra. “Meu pensamento pessoal é de que as justificativas dadas – a ideia de que você poderia fazer a geoengenharia do ambiente ártico usando uma série de mamutes – não é plausível”, disse a Dra. Victoria Herridge, bióloga evolucionista do Museu de História Natural de Londres.

“A escala em que você teria que fazer esse experimento é enorme. Você está falando sobre centenas de milhares de mamutes, cada um levando 22 meses para gestar e 30 anos para crescer até a maturidade. ”

Lamm contra-argumenta: “Nosso objetivo não é apenas trazer de volta os mamutes, mas trazer de volta rebanhos intercruzáveis ​​que são reconquistados com sucesso na região do Ártico”.

Se os elefantes asiáticos irão gostar de cruzar com os híbridos, por enquanto, não é possível afirmar. “Talvez tenhamos que fazer a barba deles”, brincou Church.

Fonte: areferencia.com

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