Futebol reluta, mas para por duas semanas em meio a tragédia do RS

Futebol reluta, mas para por duas semanas em meio a tragédia do RS

Foto: Reprodução/Divulgação

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Dos 20 clubes que disputam o Brasileirão, 15 acabaram se se manifestando pela interrupção imediata do Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão, devido à tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul e que chegou isolar o estado. O posicionamento da Liga Forte União (LFU) expressa na segunda-feira, 13, foi determinante para que o comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que até então estava na defensiva decretasse a suspensão de duas rodadas da competição a partir da quarta-feira, 15. A LFU é formada por Athletico-PR, Atlético-GO, Botafogo, Criciúma, Cruzeiro, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Internacional, Juventude e Vasco.

Congregando 11 dos times da primeira divisão, a Liga Forte União (LFU) já representava a maioria dos clubes que jogam o Brasileirão. A adesão de quatro clubes vinculados a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) a proposta da paralisação, no entanto, não afasta a polêmica sobre o assunto.

Se de um lado, apelos por uma visão solidária com a população gaúcha e atletas em meio à catástrofe, de outro, há posicionamentos que destacam a importância do esporte na e também como um canal para direcionar recursos aos afetados pelas enchentes.

Com passagens pelo Internacional e pelo Grêmio, o jogador Giuliano que hoje atua na segunda-divisão pelo Santos foi um dos primeiros do mundo da bola a dar uma declaração contundente sobre a questão.

Momento de reflexão

“Qual é o preço de uma vida? Será que um gol paga o preço de uma vida? Será que o estádio cheio e as outras pessoas sofrendo lá (no Rio Grande do Sul) paga? É um momento de reflexão. O povo brasileiro ama futebol, mas até que ponto vale você continuar o futebol e deixar as pessoas sofrerem? Nós temos que ser solidários. O futebol está em segundo plano. Nós temos que amar as pessoas, amar a vida, amar o ser humano. É muito válido uma paralisação, até pela reconstrução psicológica dos jogadores, das pessoas que sofreram com isso, até que a gente tenha condições de retomar os campeonatos”, declarou o atleta após o jogo do Santos contra o Guarani no dia 6 de maio.

Futebol reluta, mas para por duas semanas em meio a tragédia do RS

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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O jornalista esportivo Juca Kfouri segue a linha de Giuliano até certo ponto. “A questão esportiva é secundária diante da catástrofe. Quanto a parar ou não o campeonato eu tenho dúvida: talvez seria melhor mantê-lo, reverter parte das rendas ao Rio Grande do Sul e dar aos três gaúchos (Internacional, Grêmio e Juventude) o benefício, se e quando puderem participar, a isenção do rebaixamento”, pondera.

Uma coisa é certa, para Kfouri. A posição da CBF que chegou a marcar uma reunião no próximo dia 27 para decidir parar ou não o campeonato “dá a medida da estúpida mediocridade de seu presidente”.

Sobre as ponderações feitas pelo presidente da confederação, Ednaldo Rodrigues, de que o assunto é complexo porque, além de envolver calendário, classificação para as competições sul-americanas e até a Intercontinental, caso um clube brasileiro ganhe a Libertadores, movimenta a economia gerando renda e empregos, Kfouri dispara: “o que ele diz é mera obviedade”.

Clima quente no futebol

Futebol reluta, mas para por duas semanas em meio a tragédia do RS

Foto: Esporte Clube Internacional/Divulgação

Estádio Beira Rio, depois do alagamento

Foto: Esporte Clube Internacional/Divulgação

Anderson Barros, diretor de futebol do Palmeiras no fim de semana passado usou parte da lógica do cartola da CBF.

“Pararmos o futebol será a solução para todos esses problemas? Será que todas aquelas pessoas que dependem do futebol seriam capazes de suportar um período de não futebol? Será que todos aqueles trabalhadores que dependem exclusivamente do que está em torno do futebol seriam capazes de suportar esse momento? Será que os clubes menores seriam capazes de suportar essa situação? Nós tivemos um exemplo recente que foi a questão pandêmica e sabemos quantos clubes sofreram quando pararam o futebol”, questionou Barros.

Neto, ex-jogador e apresentador do Grupo Bandeirantes, ao ouvir essa parte da entrevista do dirigente do Palmeiras em seu programa exclamou: “Pode parar, pode parar” e, ao chamar as câmaras para si, perguntou: “o senhor tem mãe lá?”.

Adiante, o polêmico apresentador, ídolo do Corinthians, detonou. “Tem que parar o Campeonato Brasileiro. Da Série A, da Série B, da Série C, D. É um absurdo continuar o Campeonato Brasileiro. A CBF vai esperar até quando? Tem que parar 20, 30 dias, até tudo se resolver em relação às pessoas, torcedores, jogadores. Não é possível que a CBF ainda vai marcar jogos de futebol com essa catástrofe acontecendo no Rio Grande do Sul. Tem que parar agora. Não tem que continuar com jogo de futebol. É uma vergonha”.

Quem é quem 

Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Bragantino são os sete clubes contra a paralisação da Série A do Brasileirão. Também em comum, eles integram a Libra.

Os quatro primeiros promoveram campanhas para auxiliar as vítimas das enchentes no Sul e se manifestaram por dirigentes a intenção de ajudar mais com a continuidade do Brasileirão.

Aos 11 times da primeira divisão da LFU (Athletico, Botafogo, Cruzeiro, Internacional, Fortaleza, Vasco, Criciúma, Juventude, Fluminense, Atlético-GO e Cuiabá) se somaram Grêmio, Atlético-MG, Bahia e Vitória, que pertencem à outra liga, a Libra.

Libra e LFF são associações que atuam como blocos comerciais que representam os mais variados clubes de futebol do Brasil nas negociações que dizem respeito às transmissões de TV dos campeonatos realizados no país.

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