Flagelo e negacionismo

Capa: Reprodução

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Entre o jacaré da enchente no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, o cavalo que foi parar em cima de um telhado na Mathias Velho, em Canoas, em meio à chuvarada e as aparições consternadas de governantes midiáticos, a cobertura da imprensa aos primeiros dez dias de flagelo no Sul vem comovendo os gaúchos e brasileiros país afora.

A partir do final de abril e durante os primeiros dias de maio, o Rio Grande do Sul vem sendo devastado por mais um fenômeno climático extremo, que segue provocando mortes e destruição. Depois de quase uma semana de chuvas ininterruptas, mais de 80% dos municípios gaúchos foram impactados pelas enchentes, que atingiram quase 2 milhões de pessoas, provocando mais de uma centena de mortes.

É comovente a rede de solidariedade e amparo às vítimas da enchente, assim como conforta a todos a compaixão desenfreada pelos animais atingidos pela tragédia. Mas é preciso lembrar que o desastre, mais do que um fenômeno natural ou fatalidade, tem a ver com ações deliberadas, como a ocupação desordenada do solo, negligência, omissão, negacionismo climático e uma imensa incapacidade de articulação e prevenção por parte de governantes.

Gestão das águas

Embora tenha sido o pioneiro na legislação sobre o gerenciamento dos recursos hídricos, o Rio Grande do Sul ficou para trás na implementação da lei e ignora o preceito constitucional dos Comitês de Bacia Hidrográfica.

Sendo uma das diretrizes da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, esse fórum específico incorpora vários aspectos que deveriam ser considerados pelo governo do estado. São políticas que poderiam minimizar os efeitos das enchentes que castigam o RS de forma mais intensa desde o ano passado e que estão relacionadas à gestão de oferta hídrica, a ações emergenciais de eventos críticos, ao zoneamento de áreas inundáveis e à ampliação e operação de sistema de alerta contra cheias.

Na entrevista da edição, o médico Luiz Antonio Santini, que combateu a corrupção no antigo Inamps e modernizou a sua gestão, apresenta um diagnóstico da saúde pública no Brasil. Santini recém lançou, em coautoria com o historiador Clóvis Bulcão, o livro SUS: Uma biografia (Editora Record), no qual os autores passam a limpo essa que é a mais importante conquista da sociedade brasileira.

Confira também: Arte +, Luis Fernando Verissimo, Marcos Rolim, Marco Weissheimer, Fraga, Edgar Vasques, Rafael Corrêa e Santiago.

Nota: Devido ao comprometimento dos serviços de impressão e distribuição, a edição de Maio/Junho do Jornal Extra Classe será disponibilizada em formato PDF e flip no site www.extraclasse.org.br.

Boa leitura!

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