'É grave que ela não possa ter sido registrada', diz Lula sobre candidata opositora na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, o veto à candidatura da opositora Corina Yoris nas eleições venezuelanas, uma mudança de posição que começou a ser sinalizada na última terça-feira, com uma dura nota do Itamaraty.

Yoris era a candidata escolhida pela oposição para substituir María Corina Machado, grande vencedora das primárias, mas inabilitada pelo governo de Nicolás Maduro por 15 anos.

“É grave que a candidata não possa ter sido registrada. Ela não foi proibida pela Justiça. Me parece que ela se dirigiu até o lugar e tentou usar o computador e não conseguiu entrar. Foi uma coisa que causou prejuízo à candidata”, afirmou o presidente brasileiro. “O dado concreto é que não tem explicação jurídica, , proibir um adversário de ser candidato. Aqui no Brasil é proibido proibir a não ser que tenha uma punição judicial e que ela garanta o direito de defesa das pessoas prejudicadas.”

Yoris teve sua inscrição no registro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) bloqueada tanto na internet como presencialmente, o que fez com que os governos de EUA, Brasil e Colômbia e a União Europeia (UE) questionassem a manobra do chavismo, pondo em xeque a credibilidade do processo eleitoral. No caso do Brasil, o comunicado divulgado pelo Itamaraty — com o aval de Lula segundo fontes — foi a primeira expressão oficial crítica do país ao governo Maduro.

Nesta quinta-feira, foi a vez de o próprio Lula criticar o processo eleitoral. Ao lado de Macron, que elogiou a mediação brasileira na crise política do país vizinho, o presidente disse que a disputa na Venezuela deveria ocorrer no mesmo modelo das eleições brasileiras.

“Se as eleições não forem democráticas, o Brasil participará, o Brasil vai tentar assistir essa eleição, porque eu não quero nada melhor nem pior, quero que as eleições sejam feitas igual a gente faz aqui no Brasil, com a participação de todos.”

A nota de terça-feira foi assinada apenas pelo Itamaraty, o que levou o governo venezuelano a responder diretamente à chancelaria brasileira. Lula foi poupado, o que sugeria que poderia haver um racha entre o Itamaraty e o Palácio do Planalto. Integrantes do governo brasileiro, no entanto, disseram a nota do Itamaraty só saiu depois do aval de Lula que, ao declarar sua preocupação com o processo eleitoral na Venezuela nesta quinta, reforçou esse argumento.

Levantamentos feitos pelo Palácio do Planalto mostram que a defesa da Venezuela desgasta a popularidade de Lula. Ao demonstrar, nos últimos meses, proximidade de Maduro, e afirmar que há democracia no país vizinho e que o descumprimento de direitos humanos é uma “questão de narrativa”, o presidente brasileiro vinha sendo alvo de críticas, internas e externas.

‘Eleições mais transparentes'

Nesta quinta, também questionado sobre o tema, Macron afirmou que a situação é grave no país sul-americano e prometeu tentar convencer o presidente da Venezuela para que seja permitida a participação de todos os candidatos no pleito.

“O marco em que essa eleição está ocorrendo não pode ser considerado democrático. Nós faremos de tudo para convencer o presidente Maduro para que reintegre todos os candidatos e tenhamos eleições mais transparentes”, afirmou o presidente francês. “Condenamos a retirada da candidata do processo e espero que seja possível um novo marco. Não nos desesperemos, mas a situação é grave e piorou com a ultima decisão [de retirar Corina do pleito].”

O veto ao registro de Corina Yoris ocorreu após seu nome ter sido indicado por María Corina Machado, que era a candidata favorita da oposição. María Corina não pôde concorrer por ter sido declarada inelegível por 15 anos. Apesar de Yoris não ter conseguido se inscrever, Miguel Rosales, governador de Zulia e também integrante da Plataforma Unitária, conseguiu se registrar no último minuto e disputará a eleição com Maduro.

Para o governo brasileiro, esse tipo de atitude na Venezuela fere o Acordo de Barbados, firmado entre governo e oposição da Venezuela no fim do ano passado, com o objetivo de garantir eleições livres e transparentes no país, previstas para julho deste ano. Foi a partir dessa constatação que o Brasil decidiu agir.

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