De militar a viúvo americano: como agia bando que fez 400 vítimas no “Golpe do Amor”

São Paulo – No “Golpe do Amor”, é comum o criminoso se passar por estrangeiro. Os perfis falsos, criados em diferentes redes sociais, vão desde viúvo americano a militar em missão contra o terrorismo da Organização das Nações Unidas (ONU). Com eles, o golpista seleciona suas vítimas e trabalha para que logo a paquera vire um namoro à distância.

É nessa hora que o farsante, chamado de “fake lover”, promete enviar malas de dinheiro ou presentes caríssimos para a pessoa com quem finge ter uma relação no Brasil. A entrega, no entanto, sempre dá problema. Ele, então, pede à vítima para pagar alguma taxa, supostamente necessária para resolver a situação.

O esquema para enganar as vítimas é sofisticado e também envolve a produção de sites falsos de instituições financeiras, ligações simulando agentes alfandegários e até links compartilhados que permitem “acompanhar” a entrega, em tempo real, do presente que nunca chega.

Foi assim que uma quadrilha especializada no “Golpe do Amor” fez mais de 400 vítimas espalhadas por todos os estados do Brasil, de acordo com sentença do Tribunal de de São Paulo (TJSP), proferida no dia 8 de maio de 2023.

Bando teria mais de 200 integrantes

Ao todo, 19 pessoas foram condenadas a penas que variam de oito a 19 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo juiz Henrique Ramos Sorgi Macedo, da 2ª Vara Judicial de Martinópolis, no interior paulista.

O bando respondeu por crimes de estelionato, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Esses golpes foram aplicados entre os anos de 2017 e 2020.

Responsável pela investigação, a Polícia Civil de São Paulo estima que, na verdade, mais de 2 mil pessoas caíram no “Golpe do Amor”, mas a maioria das vítimas não formalizou a denúncia contra a quadrilha.

Outros nove processos, ainda em tramitação, sugerem que o bando é muito maior. Atualmente, mais de 190 pessoas respondem na Justiça de São Paulo por participação na quadrilha do “Golpe do Amor”.

Tarefas no “Golpe do Amor” são divididas

As funções na quadrilha são bem definidas, segundo a investigação. Além de se aproximar das vítimas, os “fake lovers” também compartilham documentos falsos para convencer a vítima de que a mercadoria está sendo enviada – como guias de remessa aérea, aparentemente emitidos por companhias internacionais, ou certificados da Receita Federal.

Cabe aos “oficiais”, já em posse dos dados obtidos pelos “fake lovers”, ligar para as vítimas, explicar quais seriam os problemas na entrega e pedir o pagamento de taxas para resolver a burocracia o quanto antes. Para isso, se passam até por diplomatas.

Segundo a investigação, o dinheiro do golpe vai para “correntistas”, os membros do bando responsáveis por fornecer contas bancárias, em troca de até 10% do valor. Por fim, os saques são enviados para os “operadores” que repassam para os líderes da quadrilha.

“Os delitos foram executados na rede mundial de computadores, sobretudo em redes sociais variadas”, escreveu o juiz Henrique Ramos Sorgi Macedo na sentença. “O ambiente virtual viabiliza acesso a inúmeros indivíduos, possíveis vítimas; favorece o golpista, que cria, simula e induz, sem ser visto ou ouvido, o que dificulta a valer a sua identificação e embaraça o ressarcimento do prejuízo causado aos ofendidos”.

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