Conselho as a Service: entenda a estratégia das PMEs em optar por um conselheiro sob demanda

“Você compraria a sua empresa?”, essa é a provocação de Gustavo Succi, fundador do CMJ (Conselho Mudando o Jogo), serviço que orienta empresas com um time de “Conselheiros sob demanda.”

Muitos empresários procuram orientações em momentos de dor ou de expansão, mas as pequenas e médias empresas tem uma certa limitação quando o assunto é criação de um conselho. “É uma área que sempre foi vista em grandes empresas, afinal pagar um conselheiro é caro, mas fato é que os CEOs de PMEs hoje se sentem mais solitários, querem aproveitar mais a vida e sentem a necessidade de focar em estratégias de longo prazo”, diz Succi.

O executivo, que é formado em publicidade, decidiu entrar no mundo do empreendedorismo antes mesmo de pegar o diploma em 1999, quando criou a primeira empresa, a Disoft Solutions, do ramo de TI e em 2011 apostou na segunda empresa, a MIE Brasil, no ramo de alimentos. “Vendi as minhas participações nas duas empresas porque queria apostar em novos caminhos.”

O CMJ é a terceira empresa de Succi, com a primeira turma criada em 2016, em São Paulo. “Depois que eu vendi as empresas eu passei a ajudar alguns empresários com mentorias humanizadas. Foi então que lembrei da experiência que eu tive quando eu criei um conselho na empresa Disoft Solutions. Foi uma decisão transformadora para o negócio”, diz Succi que reforça que com essa lembrança começou a pensar em como levar para PMEs o serviço de ser aconselhado por pessoas experientes do mercado.

Normalmente quem contrata os serviços de Board as a Service ou Conselho Compartilhado é um CEO ou o empresário de uma PME que, segundo Succi, faturam entre 6 milhões de reais e até 700 milhões de reais por ano.

“Conselho sob demanda” compartilhado ou particular?

Quando uma empresa contrata o serviço do CMJ ela pode escolher entre ter um “Conselho sob demanda” compartilhado ou particular.

Independente do formato, os conselheiros que participam da reunião normalmente somam entre 4 e 6 executivos, que podem ser tanto convidados formados pelo CMJ ou que estão atuando no mercado de forma individual.

No caso do Conselho Compartilhado, o empresário pode participar de uma turma que contará com até 6 empresas. Todas vão ter um momento para apresentar seus desafios e ambições, assim como contará com a expertise tanto dos conselheiros quanto de executivos de outras companhias. O valor do investimento para o serviço do CMJ vai sair em geral entre 15 e 25 mil reais por mês, dependendo da turma em que a empresa será alocada.

“Nas turmas de conselhos compartilhados com outras empresas não pode ter concorrente do setor e não buscamos necessariamente executivos que entendam da área da empresa. Entendemos que do segmento a empresa já domina, o que o CEO ou o fundador precisa é de uma visão que não é da área para ajudar com os desafios do mercado. Uma das riquezas do CMJ é essa multiplicidade de visão”, afirma Succi que diz que as empresas são agrupadas de acordo com a maturidade e tamanho do negócio.

Para quem deseja ter o serviço da CMJ no formato particular, ou seja, sem participação de outras empresas, apenas dos conselheiros da CMJ, o valor do serviço será mais caro e irá variar de acordo com a complexidade da companhia, porque o porte dos conselheiros também muda.

“Não oferecemos um contrato de horas. Há dois dias de conselho a cada dois meses, reuniões individuais e em grupo a cada 15 dias, além de acesso a eventos com os nossos conselheiros. Além disso, se o CEO não quiser mais o serviço não tem multa, simplesmente irá pagar o mês que teve o atendimento.”

Com sete anos neste mercado, o CMJ já aconselhou 100 empresas, sendo que atualmente são 50 clientes ativos, que geram a expectativa de faturamento para a companhia entre 16 e 20 milhões de reais em 2024.

CMJ: serviço ou tendência?

Todo serviço sob demanda, segundo Succi, são tendências hoje no mundo. “Vimos isso acontecer com o Uber, com o Booking, onde não necessariamente precisamos ter um imóvel para nos trazer o benefício ou serviço que esperamos. Isso também está acontecendo no mundo corporativo, seja com uma consultoria ou outro tipo de serviço.”

O CMJ é muitas vezes confundido como uma consultoria, mas Succi reforça que é uma empresa de serviços – e há uma grande diferença neste conceito, segundo o executivo.

“A consultoria é uma tática profissional, ela pode ser estratégica, mas ela entra e põe a mão na massa, ou seja, ela executa para a empresa. Já no CMJ não fazemos isso, ficamos só no estratégico e permanecemos fora da operação, até indicamos consultores, mas não nos envolvemos com o negócio.”, afirma o fundador do CMJ.

A formação de conselheiros

Por meio do CMJ, Succi diz que identificou uma falta de conselheiros mais preparados para o mercado, por isso que além do “Conselho sob demanda” para PMEs, o executivo criou também o “Conselho do Futuro”, um curso que certifica conselheiros, os quais poderão atuar de forma independente no mercado ou até mesmo em projetos do CMJ.

Para montar a programação do curso, Succi diz que foi necessário fazer uma pesquisa nos EUA e Europa sobre o que estava sendo ensinado para os conselheiros das empresas no exterior. “Junto com a experiência vivenciamos no CMJ e os resultados da pesquisa, vimos uma necessidade de oferecer um curso com ênfase na prática, ou seja, colocar esses profissionais em uma sala de conselho real para ver a realidade das discussões”.

“Há conteúdos de governanças, financeiras, mas sempre de forma prática, por exemplo, o que um conselheiro precisa saber para perguntar para o CFO? O que precisa saber para ler relatórios financeiros? Ou seja, o Conselheiro de estratégia precisa saber o que perguntar para os C-Levels.”

Não são todos que podem realizar o curso que dura entre 5 e 6 meses. O requisito para a formação é ter 5 anos como C-Level ou 5 anos como empresário.“Até hoje já formamos 5 turmas de 70 alunos e mais de 100 empresas passaram no CMJ”, afirma Succi.

É o caso do Fernando Cappelletto, CEO da Neon, empresa que comercializa reagentes químicos e matéria-prima para laboratório com sede em São Paulo.

Cappelletto conseguiu o certificado de conselheiro por meio do CMJ, após ter contratado o serviço de Conselho sob Demanda durante a pandemia. “Eu e meus sócios nos deparamos com um cenário incerto e sem uma orientação”, diz o CEO.

Por ser uma família familiar, os quatro sócios da companhia tomaram a decisão de alguma forma adquirir um conhecimento mais aprofundado sobre gestão e tendências de mercado com profissionais mais experientes e de outros segmentos.

Há mais de três anos a Neon conta com o serviço de Conselho sob Demanda, e entre os ganhos o CEO destaca o estabelecimento de uma , criação de valores e um crescimento nos últimos 3 anos mais do que em 20 anos de empresa. “Mais que dobramos em faturamento entre 2021 e 2023. Hoje a empresa está pronta para ser vendida, porque está sólida e dá resultado.”

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