Concorrência internacional faz cair preços dos grãos

Faltando cinco meses para a colheita no hemisfério norte, a feroz concorrência internacional entre os exportadores alimenta a tendência para baixo dos preços dos grãos.

Os preços voltaram a cair nesta quarta-feira, 7, no mercado europeu, com o trigo cotado abaixo dos 210 euros a tonelada (R$ 1.121, na cotação atual) e o milho abaixo dos 180 euros a tonelada (R$ 957), o nível mais baixo em dois anos e meio.

No mercado americano, o milho caiu durante a sessão para seu nível mais baixo desde dezembro de 2020, a US$ 4.335 (R$ 21.502) o ‘bushel' (25,4 kg).

“A chave hoje nos mercados é a grande concorrência no cenário internacional, previsto na segunda metade da campanha [antes da colheita do verão boreal] e que limita qualquer potencial aumento de preços”, afirma Arthur Portier, consultor do Agritel – Argus Media Group France.

Reservas na Rússia

A concorrência é ainda mais intensa porque ainda restam grandes volumes para exportar, especialmente na Europa e na bacia do Mar Negro.

Na Rússia, o maior exportador de trigo do , “ainda havia 22 milhões de toneladas de trigo nas fazendas em dezembro, em comparação com os 13 milhões de dois anos atrás […] Neste contexto, o que for mais barato, ganha”, afirma Portier.

Nos Estados Unidos, a exportação do cereal utilizado na fabricação de pães enfrenta a feroz concorrência europeia, russa e também ucraniana, segundo Jack Scoville, do Price Futures Group.

De fato, a Ucrânia fez um retorno espetacular no cenário agrícola mundial, exportando pelos portos da região de Odessa 4,8 milhões de toneladas em dezembro (de todo tipo de grãos) e 4,3 toneladas métricas (MT) em janeiro, afirma o analista da Agritel.

Isto eleva as exportações agrícolas totais da Ucrânia (em transporte fluvial, ferroviário e rodoviário) para mais de 6 MT em janeiro diante dos menos de 4 MT em setembro.

‘Leilões' no Canal do Panamá

Nos Estados Unidos, apesar das “boas vendas” de milho na semana passada e de um novo contrato no México na segunda-feira por 155.000 toneladas, os preços continuam com viés de baixa, aponta Jack Scoville.

Os mercados estão “tranquilos”, à espera de três informes sobre as previsões de produção e exportação em Estados Unidos, Canadá e Brasil, explica Nick Paumen, da cooperativa CHS.

O especialista espera um aumento dos estoques de soja nos Estados Unidos e um aumento da produção na Argentina.

No Brasil, as difíceis condições climáticas atrasaram a colheita de soja e também do cultivo para a ‘safrinha' (segunda colheita anual), o que poderia levar a uma revisão para baixo da produção no país tanto do milho quanto da soja.

Por enquanto, segundo Alan Brugler, da Brugler Marketing and Management, os preços da soja brasileira “são mais baixos que os americanos”, enquanto a oleaginosa caiu nesta segunda para seu nível mais baixo desde o começo de novembro de 2021 na Bolsa Mercantil de Chicago.

Além disso, os Estados Unidos, cujos compradores de soja estão na Ásia, sofrem com as restrições à navegação no Canal do Panamá por causa da seca.

A autoridade que administra o canal “leiloa o direito de passagem e, muito frequentemente, os navios de carga cheios de grãos não conseguem competir com as companhias de petróleo e gás”, afirma Alan Brugler.

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