Com obras nas principais vias, motoristas gastam até 4 horas por dia no trânsito do DF

A professora Maria Carolina, 26 anos, mora em Valparaíso, no Entorno do Distrito Federal. Durante a semana, ela utiliza o transporte público do DF para trabalhar no Sudoeste. A jovem explica que, por conta de obras no percurso, ela chega a passar quatro horas por dia dentro de coletivos. Normalmente, ela enfrenta tudo isso em pé, junto ao seu filho, de 5 anos, que estuda na mesma escola em que ela dá aula.

“Tenho que sair uma hora mais cedo de casa para não me atrasar. Tem dia que o engarrafamento está mais leve, mas tem dia que está chegando lá na Octogonal. Na volta para casa, eu gasto duas horas. São duas horas para ir e duas para voltar”, conta a professora.

O principal motivo de tanto atraso é o engarrafamento na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), piorado por conta das obras no túnel do centro de Taguatinga, e na Estrada Parque de Indústrias Gráficas (Epig). O secretário de Obras, Luciano Carvalho, afirmou que as obras no viaduto da Epig faz parte de um processo de revitalização de toda a via, que terá também a instalação de ciclovia ligando a EPTG ao Eixo Monumental, além da construção de passagens de pedestres subterrâneas.

A EPTG é uma das principais vias de acesso para quem quer ir ao centro da capital federal. De acordo com Bispo Renato, administrador da região administrativa, aproximadamente 80% dos veículos que passam diariamente pelo centro de Taguatinga estão em deslocamento para outras regiões.

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“É muito cansativo, principalmente com criança. Hoje, eu pego um ônibus às 11h. Quando não tinha a obra, eu pegava o ônibus de meio-dia e o percurso era menor, uns 40 minutos”, detalha Maria Carolina.

Com inauguração prevista para 5 de junho, o Túnel de Taguatinga começou a ser liberado por etapas. Bispo Renato indicou que a obra já melhorou em 60% a fluidez do trânsito na região. A expectativa é que até a próxima semana sejam feitos os últimos ajustes na conclusão da construção.

O mesmo problema enfrentado por Maria Carolina atinge a manicure Paula Raíssa, 31. Ela chega a esperar uma hora no ponto, caso seu ônibus já tenha passado. A mulher mora no Recanto da Emas e comenta que espera até 30 minutos no Setor Policial Sul, que também tem sido palco de obras para a reformulação do sistema viário.

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“Você já chega no seu serviço cansada. O ônibus está muito lotado, e não temos outras opções. Toda vez em pé. A perna dói também, pessoal jogando bolsa na cara da gente e empurrando porque está muito lotado”, relata.

“Trânsito de Brasília virou um câncer”

O mecânico Cláudio Pereira da Silva, 58, reclama que a obra do Túnel de Taguatinga está “fora do prazo” e totalmente “enrolada”. Vivenciando diariamente os problemas das pistas da capital federal, o homem considera o trânsito do Distrito Federal um “câncer”, que é combatido com “sonrisal”.

“A gente fica sem saber o que fazer nem a quem recorrer. Você entendeu? Agora, fazendo essas obras assim, engarrafa mais ainda. Pra todo lado tem obra. São necessárias? São, mas tem que botar o tempo certo. A falta de organização incomoda”, afirma.

Renato da Silva Plácido, 42, é gerente de uma loja de veículos e chegou a mudar o local de seu estabelecimento por conta do túnel: “Eu já fiquei três horas nesse pedacinho aqui, que não tem uns dois quilômetros. Três horas aí, parado. Não tem como cortar para um lado ou para o outro”.

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“Moro aqui perto e esse túnel acaba criando um fluxo de trânsito que deixa tudo mais congestionado. Um trajeto que você fazia em 10 minutos, agora você leva meia hora, uma hora, dependendo do dia. Aí vai mais combustível, o carro acaba danificando também”, continua Plácido.

O problema atinge também os donos de motocicletas. Matheus Oliveira, 22, trabalha como motoboy há um ano e revela os perigos gerados pelo trânsito: “Está sempre lotado. Um monte de ônibus, um monte de carro e a gente aí no meio, passando aí no meio. Hoje de manhã, quase fiquei trancado entre os ônibus. O trânsito, em si, não é tão ruim para os carros quanto é para gente. É nossa correndo risco”.

Obras na Estrutural

As obras de pavimentação em concreto da Estrada Parque Ceilândia (DF-095/EPCL/Via Estrutural) têm sido um transtorno para os brasilienses que trafegam diariamente pela rodovia distrital. A lentidão no trânsito logo no início da manhã, no sentido Plano Piloto, tem sido a principal queixa daqueles que passam pelo local no horário de pico.

A intervenção viária na DF-095 teve início em dezembro de 2022. A concretagem da pista prevê a substituição do asfalto por pavimento rígido em toda a extensão da via, que começa no entroncamento com a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (DF-003) e vai até o viaduto entre a Estrada Parque Contorno (DF-001) com a BR-070.

Nessa segunda-feira (22/5), as obras da Via Estrutural começaram em um novo sentido. A chamada pista norte, que vai do Plano Piloto a Ceilândia, foi fechada na altura da ponte sobre o Córrego Samambaia.

As novas alterações no trânsito causaram ainda mais dor de cabeça para os cerca de 95 mil motoristas que passam por ali diariamente, principalmente no horário de pico pela manhã, entre 6h e 10h. São pessoas que vem de Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia, Vicente Pires, entre outros.

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Para iniciar esta nova etapa da obra, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-DF) desviou o trânsito. Quem sobe rumo a Ceilândia já usa um grande trecho da pista que está concluída. E os motoristas que descem rumo à região central de Brasília, usam apenas a marginal da Estrutural.

José Araújo, 37, mora em Águas Lindas de Goiás, e passa todos os dias pela Via Estrutural para chegar ao trabalho, na Asa Norte. Segundo ele, antes das obras começarem, ele gastava em torno de 50 minutos no trânsito. Agora, o tempo gasto quase dobrou, ele tem demorado 1h45 minutos.

“Você sai uma hora adiantado, e ainda chega atrasado. Não tem o que fazer. Complicou demais nossa vida de manhã. Se tiver um acidente, então, a demora é ainda maior”, alega José.

Segundo ele, a intervenção tem prejudicado, também, quem depende do transporte público na rodovia. “O pessoal não está esperando os ônibus nas paradas. Eles ficam no meio das duas vias, porque não tem acostamento para o transporte parar. Correm até risco de acidente”, diz.

Nas redes sociais, os internautas também reclamam do engarrafamento causado pela pavimentação da via. “Moro em Taguatinga, e atualmente enfrento uma situação caótica devido às obras que estão ocorrendo em vários locais, principalmente na pista da Estrutural. O trânsito tem se transformado em um verdadeiro pesadelo”, publicou uma usuária do transporte público.

Adalcino Lopes, 35, morador do Entorno do DF, trabalha como motorista de aplicativo e precisa passar todos os dias pela Estrutural. Para ele, a intervenção viária tem prejudicado também o faturamento com as corridas que realiza.

“Às vezes, eu prefiro levantar mais tarde e perder a oportunidade de poder faturar um pouco mais, pelo fato de ter que ficar muito tempo ali no engarrafamento, que já começa na altura da passarela do Setor O. Então, não há margem de lucros em uma viagem que geralmente demora 30 a 40 minutos, e na hora dos engarrafamentos estão demorando de 1h30 para mais”, alega Adalcino.

Segundo o motorista, no período de pico da tarde, o trânsito também gera transtorno. “A gente é obrigado a ficar no Plano Piloto, porque se aceitar alguma corrida que a única alternativa seja passar pela Estrutural, EPTG, EPNB ou até mesmo pela Epia. Seria importante que essas obras fossem realizadas por etapa”, defende.

Explicações do GDF

Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal afirmou que “a cidade, como um todo, passou anos e gestões sem qualquer investimento em obras, especialmente de infraestrutura”.

“Estamos falando de obras como a implantação do corredor Eixo Oeste que prevê, entre outras, a construção do Túnel de Taguatinga e do viaduto da Epig. Destacamos, ainda, outras obras importantes e necessárias, tais como a recuperação do pavimento da via Estrutural, do Pistão Sul e da W3 Sul, a duplicação de rodovias, além dos projetos de requalificação de centros urbanos como os Setores de Rádio e TV Sul, Comercial Sul, Hospitalar Sul e as Avenidas Hélio Prates e Paranoá”, informou.

A secretaria destacou este o momento ideal para a execução de obras em Brasília por conta do período seco e sem chuvas: “No período chuvoso, obras a céu aberto como as em andamento no Sol Nascente e Vicente Pires, a construção de viadutos e serviços de recuperação de pavimento, por exemplo, têm o ritmo bastante comprometido”.

Segundo a pasta, todas as obras em andamento têm recursos garantidos e os pagamentos às empresas contratadas estão rigorosamente em dia, o que impede que as obras parem. “Executar obras há muito necessárias em centros urbanos altamente adensados causa transtornos. Transtornos esses que são passageiros. […] É isso que essa gestão quer oferecer para o DF. Obras de qualidade, bem executadas e que melhorem a vida das pessoas. Pedimos desculpas pelos transtornos”, aponta o órgão.

O que diz o DER-DF

De acordo com o DER-DF, a modernização da Estrada Parque Ceilândia, também chamada de Estrutural, trará conforto e segurança para cerca de 95 mil motoristas que passam por ali diariamente.

A aplicação do concreto na via é executada no período noturno, entre 20h e 4h da manhã. A estratégia é usada pelos técnicos, tendo em vista que o frescor da madrugada favorece a qualidade técnica do concreto usado.

Neste trecho, durante o horário de pico da manhã, entre 6h e 9h, seis faixas no sentido Ceilândia/Brasília ficam em sentido único: duas faixas na marginal da Vicente Pires, duas faixas na pista sul expressa e a faixa da esquerda da pista norte.

Já no horário de pico da tarde, entre 17h30 e 19h45, todas as faixas são direcionadas, na mesma dinâmica, para o sentido Brasília/Ceilândia.

Nos demais horários do dia, as duas faixas da marginal da Vicente Pires mais a faixa da direita da pista sul expressa seguem na direção Ceilândia/Brasília, enquanto a faixa central e da direita da pista sul expressa mais a faixa da direita da pista norte seguem sentido Brasília/Ceilândia.

Confira as orientações dadas pelo presidente do DER, Fauzi Nacfur Júnior:

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