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Cientistas descobrem mamífero mais antigo do mundo aqui no Brasil

Uma equipe de paleontólogos brasileiros e ingleses descobriu os mamíferos mais antigos do mundo. O trabalho de cerca de 20 anos revelou que fósseis encontrados na região central do Rio Grande do Sul pertencem a uma espécie de roedor.

A pesquisa se baseou em análises de microscopia das mandíbulas e dos dentes de cinodontes chamados Brasilodon quadrangularis, que foram encontrados fossilizados em rochas do período Triássico no estado.

Os parentes antigos das capivaras viveram no Sul do país há 225 milhões de anos.

As descobertas foram publicadas na revista científica Journal of Anatomy, no dia 6 de setembro.

Os pequenos brasilodotídeos tinham 20 centímetros de comprimento total e pesariam pouco mais de 15 gramas. Eles se assemelhavam aos pequenos roedores atuais, mas até hoje eram descritos na literatura científica como tendo uma natureza biológica reptiliana, disseram os pesquisadores.

Sergio Furtado Cabreira, doutor em Geologia e pesquisador do projeto disse em comunicado que “desde que foram encontrados os primeiros fósseis de cinodontes, na segunda metade do século 19, estes pequenos fósseis eram descritos como animais ectotérmicos e ovíparos, ou seja, de sangue frio e colocariam ovos para sua reprodução”.

No entanto, “nossa pesquisa demonstrou, através de análises de microscopia das mandíbulas e dos dentes, que estes pequenos animais já apresentavam difiodontia, isto é, apenas uma dentição permanente substituindo a dentição de leite”, explica Cabreira.

A difiodontia está diretamente associada, nos mamíferos atuais, a características fisiológicas como endotermia, placentação e lactação, diz a equipe. Isso quer dizer que brasilodontídeos eram diminutos animais peludos endotérmicos (sangue quente) e produziriam ninhadas de filhotes nascidos vivos, os quais seriam então amamentados pelas suas mãe.

Características dos Brasilodon quadrangularis
Os primeiros trabalhos histológicos com as dentições destes fósseis que estão na Universidade Federal do Rio Grande do Sul iniciaram em março de 2004, quando paleontólogos selecionaram algumas mandíbulas isoladas de do fóssil, de apenas 2,0 cm de comprimento, para a preparação e confecção de lâminas histológicas e posterior estudo em diferentes microscópios.

De acordo com o pesquisador, as principais descobertas ocorreram porque o esmalte e outros tecidos dentários mineralizados dos animais têm informações sobre características básicas das condições metabólicas em que são formadas.

Dessa forma, explicou Cabreira, foi possível diagnosticar quais dentes teriam iniciado sua formação durante a fase de desenvolvimento placentário de embrião, e quais os dentes teriam se formado após o nascimento dos animais.

Além disso, a pesquisa mostrou que esses mamíferos do Período Triássico eram animais noturnos que caçavam insetos e pequenos répteis e deveriam viver em pequenas tocas onde seus filhotes viviam até ficarem adultos.

“Mais surpreendente, a descoberta aponta que certas características de algumas Ordens de mamíferos como os Marsupiais e os Monotremados teriam surgido como elementos reprodutivos secundários, através da evolução de ancestrais placentários”, disse Cabreira.

Os cientistas classificam a descoberta como revelevante, uma vez que mostram que mamíferos placentários são tão antigos quanto os primeiros dinossauros e traz importantes informações sobre o conservatismo e o continuísmo dos padrões genéticos, embriológicos e fisiológicos dos vertebrados ao longo do tempo.

“Enfim, este inovador trabalho de biologia evolucionária pode trazer novas perspectivas para iluminar o cenário sobre a evolução e as dentições dos mamíferos”, afirma o pesquisador.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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