Chefe do Exército pede 'maturidade e unidade' após resultado eleitoral no Paquistão

O chefe do Exército do Paquistão pediu “maturidade e unidade” dos líderes políticos do país, neste sábado, diante de resultados eleitorais que não deram maioria absoluta a nenhum dos partidos na disputa, mas deram vantagem aos candidatos apoiados pelo ex-primeiro-ministro Imran Khan, condenado em três processos diferentes nos dias anteriores ao pleito.

“Uma vez que o povo do Paquistão depositou sua confiança na constituição, agora é a vez de todos os partidos políticos fazerem o mesmo, demonstrando maturidade e unidade”, afirmou Syed Asim Munir em um comunicado neste sábado, acrescentando que o país “precisa romper com a política de anarquia e polarização”.

O partido Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI), liderado por Khan, não recebeu autorização para concorrer, mas ainda assim conseguiu se sobressair, com os candidatos independentes apoiados pelo líder preso conquistando um resultado importante, conquistando ao menos 100 assentos — a Assembleia Nacional do país, uma potência nuclear de 240 milhões de habitantes, tem 336 assentos, 70 dos quais são reservados para mulheres e minorias religiosas e são atribuídos proporcionalmente.

O PTI ficou à frente da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N) de Nawaz Sharif, favorita da votação, que obteve 71 deputados, e do Partido Popular do Paquistão (PPP) de Bilawal Bhutto Zardari, que ficou em terceiro com 54 assentos. O PTI se declarou vencedor através de um vídeo antigo de seu líder preso, no qual a voz e a fala eram geradas por inteligência artificial.

Antes do pleito, analistas consideravam a eleição como uma das menos credíveis nos 76 anos de história do país, devido à repressão generalizada dos militares contra Khan e os seus apoiadores. Apesar do resultado favorável ao ex-premier, seus apoiadores consideram que o pleito foi fraudado. Os atrasos na contagem dos votos, bem como o corte dos serviços de telefonia e de internet pelas autoridades na quinta-feira também aumentaram as suspeitas de manipulação. A Comissão Eleitoral citou “problemas de internet” para explicar a lentidão do processo.

Na ausência de maioria absoluta, os três principais partido terão que forjar alianças. O PML-N, que tem o apoio do Exército, parece estar em melhor posição para conseguir uma coalizão. A melhor possibilidade é repetir o governo de coalizão com o PPP, como em 2022. Tradicionalmente rivais, ambos compartilharam a maior parte do poder com o Exército durante décadas.

Em contrapartida, os partidos menores conquistaram 27 cadeiras e poderiam ser absorvidos pelos independentes apoiados pelo PTI.

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