Brasileiros tem comprado carne quase vencida para economizar no mercado

O publicitário Leandro Souza, 30, mora em São Paulo e diz que não compra mais o que tem vontade de comer. Suas escolhas são baseadas nos produtos que estão na promoção no mercado por estarem próximos da data de vencimento. Carne, por exemplo, é um alimento que só chega na mesa quando encontra uma boa promoção — ele não compra mais sem desconto por não caber no bolso.

Assim como ele, outros brasileiros também estão comprando estes produtos. Uma pesquisa da Datafolha mostra que 67% dos brasileiros mudaram os hábitos de compra para economizar. Entre essas pessoas, 61% foram em busca de marcas mais baratas e 29% compraram produtos próximos ao vencimento.

Aumentou a busca por produtos quase vencidos? Vinicius Alves, fundador da Gooxxy, empresa especializada em recolocação de produtos no mercado, diz que houve um aumento na procura e compra de produtos próximos do vencimento.

A empresa diz que os pequenos empresários que fazem negócio com a Gooxxy tiveram aumento de 20% nas vendas de produtos que custam menos ao consumidor, como biscoitos e iogurtes, e de 50% para itens mais caros, como chocolate e material de limpeza. Essa alta foi registrada em agosto deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Mercados especializados em produtos quase vencidos: Jenny Balbino Rodrigues é dona do mercado O Barato da Vargem, um “vencidinho” de Vargem Grande Paulista (SP). A empresária diz que o segmento cresceu com a pandemia e que recebe clientes tanto de classe baixa como de classe média.

“Vencidinho” é o nome popular dado aos mercados que só vendem produtos que estão próximos do vencimento. Em troca, os preços são mais baixos do que os praticados nos mercados tradicionais.

Dayana Ferraz Primarano, sócia do Mercado Vanessa, “vencidinho” que tem três unidades em São Paulo e uma em Osasco, diz que mais clientes têm procurado o mercado.

“Nos últimos meses, sentimos um aumento na procura pela necessidade de economizar, com alta nos preços dos produtos”, afirma Primarano.

Quem frequenta esses mercados não vai lá para fazer a compra do mês, de acordo com as empresárias. A pessoa entra no local pensando em comprar um produto específico, porque viu uma promoção, ou então tem o hábito de ir mais de uma vez na semana para ver o que está com preço bom naquele dia.

Quais os produtos que mais vendem? As duas empresárias dizem que as carnes são os produtos que mais vendem.

O aumento do preço das carnes forçou muitos brasileiros a consumirem menos carne bovina. Uma pesquisa da Neogrid, empresa especializada em soluções digitais para as cadeias de suprimento, diz que os brasileiros passaram a trocar a carne bovina por outros produtos, como ovos, linguiça, carne suína e frango.

Como trabalham com itens próximos do vencimento, os produtos oferecidos no mercado variam de acordo com o que os fornecedores têm disponível para vender. Isso significa que não é sempre que os mercados conseguem ter carnes.

Os “vencidinhos” recompram mercadoria de distribuidoras, da indústria ou de grandes mercados que oferecem os produtos antes que vençam.

Os campeões de vendas citados por Rodrigues e Primarano são:

  • Carne bovina, com destaque para a picanha
  • Outros tipos de proteína, como frango e linguiça
  • Frios, como salame, mortadela e queijos
  • Pães
  • Iogurtes

O mercado pode vender produtos vencidos? Nem os mercados tradicionais nem os “vencidinhos” podem vender produtos após a data de validade. Alves afirma que o consumidor precisa ser devidamente informado que o produto está mais barato porque está próximo do vencimento.

Nos mercados tradicionais, os itens próximos ao vencimento devem estar separados dos outros e ter uma placa que deixe claro que aquele item está mais barato porque vai vencer logo. Isso vale para itens que vão vencer em 30 dias.

De acordo com a lei que proíbe a venda de produtos vencidos, quem desrespeitar a regra está sujeito a pena de dois a cinco anos de prisão ou pagamento de multa.

Produtos vencem nos “vencidinhos”? Pode acontecer, mas as empresárias dizem que o foco é vender a qualquer custo nesses casos.

Quanto mais próximo da data de vencimento, menor o preço.

“Tem mercadoria que dá prejuízo. Prefiro colocar quase em doação porque é um chamariz ao cliente e ele não vem buscar só aquilo. Fico feliz que o produto não vai para o lixo e minha loja enche”, afirma Rodrigues.

Fonte: .uol.com.br

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