Boulos e Nunes copiam estratégia e apostam no ataque ao “extremismo”

São Paulo – A polarização da pré-campanha à Prefeitura de São Paulo entre Guilherme Boulos (PSol) e Ricardo Nunes (MDB) tem sido marcada por uma estratégia semelhante adotada pelos rivais. Tanto o deputado federal quanto o prefeito da capital tentam colar, um no outro, o rótulo de “extremista”, com o objetivo de ampliar a rejeição do eleitor ao adversário.

Boulos e Nunes têm usado redes sociais e discursos públicos para atacar o “extremismo” do oponente e reivindicam a construção de uma “frente ampla” para derrotar o que seria o “mal maior”: o bolsonarismo, no caso de Boulos, e a “extrema esquerda”, no caso de Nunes.

Na última semana, o contexto nacional deu combustível para Boulos, com a operação da Polícia Federal (PF) contra Bolsonaro e aliados na investigação sobre um suposto plano de golpe de Estado que teria sido articulado em 2022, para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nunes e Bolsonaro

Só na quinta-feira (8/2), dia da operação da PF, Boulos publicou duas fotos de Nunes com Bolsonaro e com o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que era um dos alvos de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acabou preso por ter uma arma sem registro e uma pepita de ouro que, segundo a PF, seria proveniente de garimpo.

Além disso, Boulos fez ataques diretos ao ex-presidentes e ao bolsonarismo, em uma estratégia para demonstrar o risco à democracia que o grupo político poderia trazer caso voltasse ao poder.


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“O vice de Ricardo Nunes será escolhido a dedo pelo líder de uma tentativa de golpe! Já sabemos o que uma gestão golpista é capaz de fazer. São Paulo não merece passar por isso”, escreveu Boulos no X (ex-Twitter), referindo-se à possibilidade de que o vice na chapa do prefeito seja indicado por Bolsonaro, como desejam os bolsonaristas.

A aliança do prefeito com o ex-presidente também foi a justificativa dada por Marta Suplicy para deixar o cargo de secretária da gestão Nunes, em janeiro, e ser vice na chapa de Boulos. Em seu discurso de refiliação ao PT, a ex-prefeita falou que estava retornando ao partido para “derrotar o bolsonarismo e seus representantes” na capital.

Boulos e radicalismos

Até o dia da operação da PF, contudo, era Nunes quem estava no ataque. Em dois discursos, ele havia chamado Boulos de “mentiroso” por associá-lo à suspeita de superfaturamento na compra de armadilhas contra o mosquito de dengue – o país passa por um surto da doença, o que motivou seis estados a decretarem epidemia.

“Ele está acostumado a subir no palanque, falar que iria sair no braço com o Tarcísio em um evento na [avenida] Paulista. Está acostumado a ir na Fiesp quebrar, está acostumado a ser levado à delegacia por depredação, responder processo por desacato. Acho que a sociedade não merece isso”, disse Nunes, que tem justificado a aliança com Bolsonaro como necessária para derrotar a “extrema esquerda”, representada por Boulos.


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A fala de Boulos sobre Tarcísio foi em 11 de janeiro do ano passado, três dias após os atos golpistas em Brasília. O deputado disse que Tarcísio não poderia fazer, em São Paulo, o que o governo do Distrito Federal permitiu que acontecesse no ataque às sedes dos Três Poderes em Brasília. “Se for golpista, canalha, e invadir a Assembleia Legislativa de São Paulo, e a polícia fizer corpo mole, nós vamos tirar no braço.”

Polarização x vida na cidade

Para o cientista político Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e de São Paulo (Fespsp), a polarização praticada pelos dois candidatos é reflexo do atual cenário político nacional e internacional e, dificilmente, a eleição na capital sairá desse contexto.

“Mas a pergunta que deve ser feita é a seguinte: a polarização é conveniente para uma eleição municipal? Ela vai ser importante nas capitais dos principais estados, mas vai diminuindo quanto mais se vai para o interior”, ressalta.

Isso porque, segundo ele, a polarização – personificadas em Lula e Bolsonaro no Brasil – tem influência menor sobre o voto em uma eleição municipal quando o eleitor busca soluções para questões locais, como atendimento em posto de saúde, vaga em escola e limpeza dos espaços públicos.

Desse modo, a estratégia de marketing das duas campanhas — de “marcar território”, segundo Fornazieri, garantindo todo o apoio dos opositores de Bolsonaro (no caso de Boulos) e dos rivais de Lula (no caso de Nunes) — tem um limite de atuação.

“Se definirem isso [os ataques ao rival] como estratégia de campanha, mesmo que digam que vão defender propostas, eles podem abrir espaço para o crescimento da Tabata Amaral [deputada federal do PSB]”, avalia o professor.

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