Aumenta cerco a suspeitos de tramar golpe para manter Bolsonaro no poder

Foto: Reprodução Youtube/STF

O ministro Alexandre de Moraes tornou pública a íntegra do vídeo da reunião, ocorrida em 5 de julho de 2022, entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, e que integra as investigações

Foto: Reprodução Youtube/STF

Menos de 24 horas depois da Operação Tempus Veritatis, fatos que começam a se tornar públicos mostram que a vida de suspeitos de participar da conspiração para a ruptura democrática no país não deverá ser fácil. Polícia Federal já vê Bolsonaro “na cena do crime”.

Agenda com anotações a mão de conteúdo golpista, pepita oriunda de garimpo, minuta com roteiro para justificar Estado de Sítio e Garantia da Lei e da Ordem (GLO), constrangimento entre militares e convocação de Mauro Cid para um novo depoimento.

Estes são apenas alguns dos efeitos colaterais das buscas e apreensões realizadas na quinta-feira, 8.

Se o rascunho que indica uma espécie de “discurso” para justificar medidas de exceção encontrado próximo à sala do ex-presidente Jair Bolsonaro na sede do PL em Brasília é digitalizado e apócrifo, agenda do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, compromete ainda mais fortemente o militar reformado do Exército.

Agenda comprometedora e suspeitos

Foto: Agência Senado

General Augusto Heleno: agenda do ex-ministro compromete

Foto: Agência Senado

Na agenda apreendida pela PF na residência de Heleno há anotações de próprio punho com teor golpista.

Elas convergem com outros documentos encontrados ao longo da investigação, como o próprio rascunho de discurso que estava no escritório de Bolsonaro, na sede do PL.

São ideias como limitar o poder de atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base de que ordens de um “juiz suspeito” seriam ilegais, com possibilidade de prisão do delegado que as cumprisse.

No entendimento de agentes da PF, o encontrado na agenda do general mostra que temas golpistas eram de debate recorrente entre o núcleo do governo Bolsonaro.

Acordo de Cid pode ser cancelado

Apesar de boa parte da operação da PF ter se embasado em material apreendido com o tenente coronel Mauro Cid e em sua delação premiada realizada em setembro do ano passado, o ex-auxiliar de ordens de Bolsonaro corre o risco de ter acordo judicial, que permitiu a sua saída do batalhão do Exército em Goiás, onde ficou preso por quatro meses, cancelado.

Diante de várias questões identificadas nas buscas da Operação Tempus Veritatis, a PF decidiu convocar Cid para que novas informações sejam fornecidas.

Os investigadores vão cobrar explicações sobre o não dito pelo militar em sua delação premiada e que foi apurado posteriormente pela PF.

Entre elas, financiamento dos atos golpistas e os processos de difusão de fake news pelo chamado “gabinete do ódio”.

A PF identificou troca de mensagens com tratativas de Cid para a liberação de R$ 100 mil  como financiamento da ida de “pessoal” para Brasília.

As mensagens identificadas pela PF dão conta de que o recurso seria para o custeio de “hotel”, “alimentação” e “material”.

Segundo os investigadores, “o pessoal” seria uma turma de oficiais das Forças Especiais de Goiânia, os Kids Pretos, para ficar de prontidão na Capital no aguardo de uma ordem de Bolsonaro.

Forças Armadas constrangidas

O Exército determinou o retorno do coronel Bernardo Romão Corrêa Netto ao Brasil.

Alvo de pedido de prisão na operação da PF, o oficial está em missão em Washington, Estados Unidos, realizando um curso no Colégio Interamericano de Defesa.

Fontes militares têm dito que, mesmo com “provas robustas” de que as Forças Armadas resistiram aos apelos para um golpe, há um mal-estar na caserna.

O motivo se dá porque entre os alvos principais da ação da PF figuraram cinco generais de quatro estrelas e um almirante.

Nunca na história do Brasil a quantidade de oficiais militares dessa envergadura foi motivo de uma ação policial semelhante a ocorrida na quinta-feira.

O Ouro do Valdemar

Preso durante a busca e apreensão em sua residência por ter sido encontrado uma arma irregular, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, teve ainda apreendida uma pepita de ouro.

Além do um crime inafiançável de porte de arma ilegal, Costa Neto agora terá que dar explicações sobre a peça que foi encaminhada para o Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF, em Brasília.

Fontes ouvidas pela coluna de Bela Megale do jornal O Globo relataram que os peritos já constataram que é uma pedra de ouro bruto consideravelmente grande extraída de um garimpo.

Também grande é a possibilidade da pepita de Costa Neto ser de origem ilegal, pois a maior parte dos garimpos que operam no Brasil são clandestinos.

STF torna público vídeo de reunião

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, tornou pública a íntegra do vídeo da reunião, ocorrida em 5 de julho de 2022, entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, que faz parte das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (PET 12.100).

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