"A Pequena Sereia": o espetáculo da Broadway que todo mundo queria — e só

A Pequena Sereia“, animação da Disney de 1989, acaba de ganhar um live-action. A nova versão, com Halle Bailey como protagonista e direção de Rob Marshall, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 25, e traz consigo algumas mudanças de sua obra original.

O filme, que tem quase 1 hora a mais do que a animação de 1989, surpreendeu pelo tom e pelas escolhas originais do roteiro, sem se prender a todos os detalhes da base original. Afinal, é um fato que as adaptações da Disney sobre suas próprias obras nem sempre têm funcionado — a ver por “Rei Leão” e “Mulan“.

No caso de “A Pequena Sereia”, no entanto, o caminho é um pouco diferente. O filme, que gerou polêmicas e episódios de racismo pela escolha de uma protagonista negra — diferente da sereia branca, ruiva e de olhos azuis da animação original — já tinha dificuldades antes mesmo da “largada”. A principal, sem dúvidas, era a ambientação: mais de metade da história é contada debaixo d'água.

Mas o resultado, diante de tantos desafios, até que surpreendeu. No Rotten Tomatoes, o filme tem aprovação de 71% dos críticos. No IMDb, no entanto, a taxa cai para 59%.

A EXAME Pop assistiu ao filme com antecedência e traz uma visão de público comum para saber se vale a pena ou não investir na bilheteria. Confira:

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

Da Broadway para o cinema

Por mais que o filme tenha surpreendido pela qualidade das músicas — um dos aspectos principais da história —, é inegável dizer que ele apresenta alguns problemas graves. O CGI das criaturas aquáticas não convence, o que deixa alguns dos personagens importantes de escanteio, a atuação de vários dos atores é mediana e a construção do ambiente aquático não abre tanto espaço para imersão do público.

No que tange a parte musical do longa, entretanto, o trabalho sai bem-feito. É como se todo o filme fosse um espetáculo retirado diretamente da Broadway para as telas do cinema. Os números de dança são fantásticos e as cenas de música preenchem a sala. A quem espera relembrar as canções da infância, o efeito é imediato: é quase impossível terminar o filme sem cantar pelo menos uma.

Boa parte desse efeito se deve à própria Halle Bailey: a voz dela é a maior salvação do filme. Seja nas canções solo, seja nos duetos, a artista de fato entregou todo o seu talento à Ariel. E a composição de cores e figurino, tanto dela quanto dos demais personagens, contribui para essa “pegada à la Broadway”.

Vale um destaque especial para a construção de “Aqui no Mar” (Under the Sea) e “Parte do Seu ” (Part of Your World), que são tão bem cantadas que chegam a arrepiar.

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

Mais músicas do que o original

Outro traço interessante é que o novo filme conta com músicas inéditas que acrescentam mais dimensão à história. Os números novos são bem construídos — e esse é o máximo a ser dito sem que a experiência seja estragada por um spoiler.

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

CGI que não convence

Assim como em “Rei Leão”, contudo, a Disney ainda parece não aprender que certos personagens de animação, quando adaptados para o live-action, não funcionam muito bem.

“A Pequena Sereia” de 1989 tinha nas mãos a apresentação do fundo do mar em formato mais caricato: um Sebastião expressivo, um Linguado medroso, um Sabidão maluco. Em resumo, personagens importantes para a história e que dependem inteiramente de suas expressões faciais.

Ao trazê-los à “vida real”, esse laço acaba se perdendo. Linguado tem pouco tempo de tela e é tão coadjuvante quanto as algas presentes na tela. Sebastião, ainda que esteja presente em boa parte do filme, não consegue criar uma conexão com sua personalidade. Talvez, o mais próximo do objetivo tenha sido o (agora ‘a') Sabidão.

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

Fundo do mar que não encanta

Se na animação original o fundo do mar era robusto, no live-action, falta um pouco de vida em cada uma das cenas. Com exceção do número em “Aqui no Mar” (Under the Sea), todo o entorno é tão envolto em CGI que fica difícil emergir na experiência subaquática.

Até mesmo a animação da calda das sereias (e seu nado) deixa a desejar. Pode ser efeito de todo o trabalho de James Cameron após “Avatar 2: O Caminho da Água”, mas os filmes que retratem o fundo do mar agora terão que lidar com um espectador mais exigente.

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

Atuação desanimada

Por fim, o ponto mais decepcionante do filme vem da atuação dos personagens. Por mais que Melissa McCarthy tente, ainda falta algo intimidador a ser acrescentado na personagem de Úrsula. Jonah Hauer-King até tenta, mas não consegue entrar nos encantos do príncipe Eric. e Javier Bardem, o grande nome do filme, não consegue incorporar toda a “pompa” do Rei Tritão.

No fim, falta carisma por parte de cada um dos personagens. Quem mais entrega (e precisava ser assim mesmo), é justamente Halle Bailey.

(Disney/A Pequena Sereia/Divulgação)

Mas e aí, vale a pena ver no cinema?

Apesar dos defeitos, o filme consegue superar muitos outros live-actions da Disney e vence pelos números musicais. Conferir a voz de Bailey é um dos maiores atrativos do filme, assim como sentir a tradicional nostalgia de quem cresceu assistindo “A Pequena Sereia”.

A EXAME Pop recomenda a bilheteria de “A Pequena Sereia”, em cartaz nos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira, 25.

Quando estreia “A Pequena Sereia” de 2023?

O filme estreia nesta quinta-feira, 25, e está disponível em todos os cinemas nacionais.

Quem está no elenco?

O elenco do live-action é composto de Halle Bailey, Jonah Hauer-King, Melissa McCarthy, Javier Bardem, Daveed Diggs e outros.

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