‘A Cor Púrpura’: adaptação explora a alegria e a cultura negra em meio ao drama da obra

Contém spoiler para quem não assistiu o filme original de 1985*

O Mundo Negro assistiu ‘A Cor Púrpura' em 2023, na primeira sessão exclusiva realizada no mundo, em São Paulo, a convite do diretor Blitz Bazawule. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 8 de fevereiro, e traz consigo muita magia e nostalgia do clássico de 1985.

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Com apenas uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Danielle Brooks (Sofia), não deixa de ser um tanto decepcionante, mesmo sabendo das complexidades de grandes premiações com as produções do cinema negro. A atuação, em especial, de Colman Domingo, como Albert Mister, e Taraji P. Henson como Shug Avery foram impactantes com o desenvolvimento dos personagens da obra de Alice Walker, através de um novo olhar do diretor. 

Halle Bailey retorna às telas de cinema para mostrar mais do seu potencial como artista depois do live-action de ‘A Pequena Sereia'. Dando vida a Nettie no musical, a canção original ‘Keep it Movin', é um dos momentos mais envolventes que dá vontade de dançar, além de transmitir uma mensagem importante em meio ao drama com a irmã Celie (Phylicia Pearl Mpasi). “Nada vai te derrubar, oh / Apenas deixe para lá / A vida nunca poderá quebrar sua alma”, canta.

Taraji P. Henson como Shug Avery (Foto: Warner Bros)

Assim como no filme original, Celie sofre com os abusos do pai e luta para reencontrar seus dois filhos. Mas as dificuldades se intensificam quando é obrigada a se casar com Albert Mister, outro homem abusivo, e fica longe da irmã. Shug Avery e Sofia, que irão lhe dar apoio neste período difícil, durante a fase adulta, interpretada por Fantasia Barrino. Apesar da carga dramática com a vida de Celie, o musical consegue aliviar as tensões e deixa a personagem com ar mais esperançosa para um futuro melhor e o reencontro com os filhos e a irmã.

Quem acompanhou os trailers de ‘A Cor Púrpura', deve concordar que a entrada triunfal de Shug Avery com o look todo de vermelho é um dos momentos mais aguardados do longa. E sim, a cena completa é icônica. Taraji P. Henson trouxe uma personagem mais ousada, com músicas e cenas que enfatizam ainda mais a liberdade sexual feminina e a bissexualidade. Inclusive, o estilo musical do filme vem com esse potencial de enriquecer mais detalhes às cenas. 

Uma mudança interessante no filme, está relacionada ao desenvolvimento da Sofia (Danielle Brooks). Não por menos, ela foi aclamada com indicações ao Oscar, Globo de Ouro, entre outras premiações. No clássico, houve um momento de muito sofrimento da personagem após ela rebater uma mulher branca racista na rua, mas no remake, apesar de ainda haver todo o desfecho de violência, não há uma exploração da dor negra causada pelas pessoas brancas.

Danielle Brooks como Sofia e Fantasia Barrino como Celie (Foto: Eli Adé/Warner Bros)

Uma cena de grande impacto para nós, enquanto pessoas negras, é quando Nettie, na fase adulta, interpretada por Ciara, aparece em cena vestida com trajes característicos de povos do continente africano. A realeza e a africana foram exaltadas com o devido merecimento e respeito, além de trazer uma sensação de pertencimento com muita magia.

A Cor Púrpura de 1985 é muito bom, mas assistir a regravação da trama dirigida por Blitz Bazawule, um homem negro de grande genialidade cinematográfica e produzida por Oprah Winfrey – que já teve a experiência de atuar no primeiro filme, é ainda melhor, por cada detalhe que não nos remete apenas a dor, mas também a fé, a ancestralidade, a resistência e o afeto. 

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